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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Ataque à frotilha afasta Turquia e Israel

Da Folha de São Paulo


A Turquia congelou ontem o comércio militar com Israel e o acusou de agir como "criança mimada" por rejeitar pedir desculpas pela morte de nove turcos numa ação contra um comboio de navios humanitários em 2010.
O governo turco também anunciou o reforço da presença de sua marinha de guerra no Mediterrâneo, gerando temores de escalada militar. As manobras turcas, anunciadas pelo premiê Recep Tayyip Erdogan, acentuam a crise bilateral entre países tidos até pouco tempo atrás como aliados estratégicos.

Os EUA se disseram ontem preocupados com a situação. A crise eclodiu após a publicação, na quinta-feira, do relatório final da ONU sobre o ataque da Marinha israelense contra seis navios que pretendiam furar o bloqueio naval imposto por Israel à faixa de Gaza, território controlado pelo grupo islâmico radical Hamas desde 2007.
O esperado documento, divulgado após longas consultas bilaterais, conclui que o bloqueio a Gaza é justificado, mas que Israel usou força "excessiva" e "não razoável" contra os tripulantes que levavam mantimentos a Gaza.
No texto, a ONU incentiva Israel a emitir "uma declaração adequada de pesar" pelo ataque e estabelece indenização às famílias dos oito turcos e do americano de origem turca que morreram na ação.
Após a publicação do texto, a Turquia expulsou o embaixador do Estado judaico. Israel se recusa a pedir desculpas sob pretexto de que a ação foi em legítima defesa, já que o comboio visava romper um bloqueio a Gaza tido como crucial para manter o isolamento do Hamas.
O governo israelense também afirma que seus soldados atiraram porque foram agredidos pelos ativistas com paus, facas e uma arma de fogo ao abordarem os navios.

Isolamento
Com o distanciamento turco, fica suspensa a venda de equipamentos aeronáuticos de Israel para a Turquia avaliados em quase US$ 1 bilhão.
Além do prejuízo comercial, a irritação turca também ameaça privar Israel de um raro interlocutor numa região dominada por governos que sequer reconhecem a existência do Estado judaico.
A Turquia é uma das maiores potências políticas e econômicas do Oriente Médio e um dos únicos países de maioria islâmica na Otan (aliança militar ocidental).
A Turquia também abriga gasodutos e oleodutos cruciais para a Europa. A tensão pode aumentar com os planos do premiê turco Erdogan de visitar a faixa de Gaza na próxima semana. Caso aconteça, a visita a Gaza seria uma afronta a Israel, que tem tentado colocar panos quentes para evitar uma escalada na crise.

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