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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Alemão: Vídeo comprova que tiros foram disparados apenas pelo Exército

Da Agência de Notícias ADN
Através do Blog da Maria Fro


No final da tarde de ontem, dia seis de setembro, nossa reportagem foi ao Complexo do Alemão ouvir os relatos de moradores vítimas da violenta ação do exército na noite de domingo. No momento em que faziamos uma entrevista, moradores alertavam uns aos outros que o exército estaria subindo o Complexo para levar a cabo um toque de recolher. Nossa reportagem ficou horas escondida na laje de uma casa no alto da favela de onde era possível assistir aos tiros de munição traçante disparados para o alto pelas tropas. Os disparos foram feitos durante horas e sempre partiam de localidades onde existem quartéis do exército.

Quando nossa equipe deixou a favela, repórteres do monopólio dos meios de comunicação e militares diziam que os tiros se travam de um suposto confronto com traficantes. Contudo, durante as sete horas em que permaneceu na favela, nenhum traficante foi visto por nossa reportagem, a única dentro do Complexo no momento dos disparos. Durante as sete horas em que nossa equipe esteve no local, trabalhadores mostraram-se revoltados com a militariazação e dispostos a lutar contra os desmandos do exército. Focos de protestos podiam ser vistos na Nova Brasília, na Fazendinha e na Grota. Nas ruas, moradores começavam a sair de casa e comentar a ação dos militares que, segundo rumores, deixou mortos um senhor de idade e uma menina que voltava da escola.

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