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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Além de editores potiguares, Siciliano não vende literatura africana


Depois de meu post de ontem, dando conta das restrições a venda de livros de editoras e autores potiguares, alguns companheiros publicaram algumas informações complementares, que apontam para uma política deliberada do grupo Saraiva/Siciliano, que concentra a maior rede de livrarias do país.

Bartira Seixas lembrou que seu pai, Severino Vicente, lançou no último mês o livro "Por amor a Natal".   Severino é Historiador e Folclorista, premiado com a Medalha Brasileira de Folclorista Emérito, homenagem máxima prestada a pessoas que pelo conjunto de sua obra ou méritos pessoais destacaram-se na vida profissional na área do ensino, pesquisa, publicações e outras ações ou eventos relacionados a cultura brasileira.  Exerce atualmente cargo de Presidente da Comissão Norte-Rio-Grandense de Folclore e é também, entre outras coisas, conselheiro da Comissão Nacional de Folclore, órgão ligado a Unesco.  
Apesar de todo esse currículo, Bartira não conseguiu pôr o livro do pai à venda na Siciliano. A ela foi dito que somente em outubro poderiam receber o livro. "Não entendo o que acontece! O que fiz? Deixei o livro nas bancas de revistas de Natal e na Poty livros e estou vendendo diretamente aos interessados. Procurar alternativas é solução", complementou Bartira.
A outra informação é ainda mais grave.  O companheiro Vitor Hugo, que trabalhou numa das lojas da rede, deixou claro que se trata de uma política da empresa (que talvez pudesse estar sendo burlada pelo franqueado local): "Não é só potiguares: lá não deixam vender literatura africana que não seja Mia Couto. Quando vendem, é porque o autor tem alguma ligação com países europeus ou está na mídia".
Vale um boicote até que tenhamos o quadro revertido ou explicações mais críveis?
Se fizermos um boicote, lembremos que Siciliano e Saraiva são o mesmo grupo empresarial.  Não adianta, como disse Vitor Hugo, "deixar de comprar na Siciliano e comprar na Saraiva".

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