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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

90 anos de Paulo Freire


Há 90 anos nascia um pernambucano, nordestino e brasileiro que marcou inigualável não somente o nosso país, mas também o mundo, com sua reflexão inovadora sobre a educação. Paulo Reglus Neves Freire nasceu em Recife e faleceu, em 1997, em São Paulo.

Ainda que agentes reacionários, como a revista Veja, já tenham empreendido enormes esforços para esvaziar a importância histórica de Paulo Freire, os que já foram alcançados pelas suas propostas e os tantos que efetivamente estudam educação no Brasil e no mundo ressaltam sua obra.

Paulo Freire foi proscrito em vida pelo regime militar no Brasil.  Sua obra está na raiz dos conceitos mais contemporâneos de letramento - ainda que nós chamemos tudo de pedagogia e alfabetização crítica.  Por muito tempo, Paulo Freire escreveu originalmente em inglês, utilizando a palavra literacy, que se traduzia por alfabetização.  Nos anos 80, os estudos do letramento começaram a se definir melhor.  Desse modo, o literacy, dos novos literacy studies, passou a ser entendido como letramento.   Não é, no entanto, aprofundar demais a questão para perceber que, por trás do literacy estão as ideias da pedagogia, alfabetização crítica - o espaço de liberação do sujeito oprimido.

Uma das frases mais conhecidas de Paulo Freire se transformou em slogan para toda a luta pela emancipação do humano: A leitura do mundo precede a leitura da palavra, daí que a posterior leitura desta não pode prescindir da continuidade da leitura daquele.  Ler o mundo é transformar o mundo.  Revolucionário.  Por isso, reacionários como Veja preferem desqualificar esse pernambucano que tanto honrou o nome e a educação no país.

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