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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

@thalitamoema: a força da rainha sem súditos

No texto abaixo, Alisson esqueceu somente de mencionar que há a informação de que Thalita é bolsista do Proeduc, programa criado por iniciativa do vereador Júlio Protásio que funciona à semelhança do Prouni.


Por Alisson Almeida
No Embolando Palavras

Promovida à celebridade local repentinamente depois de eleita “rainha do Twitter”, a assessora parlamentar da Presidência da Câmara Municipal de Natal (CMN), Thalita Moema, virou pivô do mais novo quiproquó no Legislativo do Município, deverá responder a processo judicial e corre o risco de perder o cargo comissionado.O pano-de-fundo da confusão foi o projeto do vereador Raniere Barbosa (PRB) que autoriza a instalação de postos de gasolina nos supermercados de Natal. De acordo com o vereador Júlio Protásio (PSB), Thalita Moema teria lhe informado que ouviu o presidente do Sindpostos, Júnior Rocha, contar que Raniere Barbosa lhe pedira propina para atrasar a votação da matéria.

Protásio disse haver orientado Moema a levar o caso ao Ministério Público. Como isso não aconteceu, o vereador decidiu tornar pública a denúncia da assessora parlamentar, para dar oportunidade de Raniere Barbosa se defender e acabar com o que chamou de “contrainformação”.

Depois que a história veio à tona, Thalita desmentiu a versão de Júlio Protásio, dizendo ter sido “mal interpretada” pelo vereador. Entretanto, em discurso na tribuna da CMN, na última quinta-feira (25), o parlamentar manteve a informação e desafiou a ativista das redes sociais a provar a acusação contra Raniere Barbosa.

“Ela [Thalita Moema] afirmou que Raniere Barbosa recebeu propina [do Sindpostos]. Eu acredito que o vereador não pediu propina nenhuma, mas ficou a acusação e, agora, ela tem que provar o que disse”, desafiou Júlio Protásio.

Alvo da suposta denúncia da assessora da Câmara Municipal, Raniere repudiou a acusação, afirmou que entrará com processo por “calúnia e difamação” contra a moça e acrescentou que pedirá a demissão dela ao presidente Edivan Martins (PV), que a indicou para o cargo.

O vereador anunciou, ainda, que também irá representar contra a prefeita Micarla de Sousa(PV) na Justiça. Ele disse ter recebido informação dando conta que, ao acusá-lo, Thalita agira a mando da chefe do Executivo. “A prefeita vai ter que dizer se isso é ou não verdade”, declarou.

Desde que a bomba estourou, Thalita não deu mais às caras na Câmara. Faltou ao trabalho na quarta, quinta e sexta. Júlio Protásio disse que iria “fiscalizar” e “denunciar” se a assessora parlamentar estava ganhando sem trabalhar.

O salário da moça, aliás, é motivo de muita especulação. Nos corredores da Casa, comenta-se que a ‘rainha’ receberia em torno de R$ 3 mil. O problema é que ninguém saber ao certo quais são suas funções. Dizem que sua única atribuição é ‘tuitar’.

Uma olhada rápida para sua timeline permite constatar que a assessora não para de tuitar nem na hora em que, supostamente, deveria estar trabalhando. É verdade que com o advento dos smartphones é possível ficar conectado praticamente o dia inteiro. A frequência com que dispara suas tuitadas, porém, sugere que Thalita Moema não faz outra coisa além de defender a prefeita Micarla de Sousa, atacar os críticos da gestão do PV e nos brindar com suas transcendentes reflexões saídas diretamente do Google.

O que chama mais atenção nessa história toda é como uma notória bajuladora do poder de plantão, em todas as suas esferas, consegue virar assunto e pautar as discussões no parlamento municipal. Enquanto isso, assunto como a anunciada ‘revisão’ do Plano Diretor de Natal não merecem a mesma atenção.

Outra coisa que não consigo entender é a origem da força de Thalita Moema. Ela passou de todos os limites ao acusar um vereador de receber propina, chamar outro de mentiroso e rasgar o código de ética do servidor público. Mesmo assim, continua imexível, como diria aquele ministro de Collor.

O presidente da Câmara, Edivan Martins, se escondeu para não explicar as trapalhadas da assessora dele. Enquanto isso, todos nós – ‘invejosos’, ‘recalcados’ e ‘ressentidos’ cidadãos – continuamos com cara de bunda pagando o salário da celebridade sem cérebro.

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