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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

O valor da linguagem

Hoje experimentei, numa vivência na prática, um fato - uma conversa - em que uma análise do discurso foi capaz de explicar tudo e mais um pouco.  Especialmente no que refere à rarefação e ocultamento dos sujeitos.  As reais intenções e os valores ideológicos dos signos ficaram ocultos em uma suporta neutralidade - ou desvio de intenção.
Discuti com uma pessoa que organizou uma homenagem na última semana, chateada porque eu havia destacado o esquecimento de um sujeito entre os homenageados que, embora merecesse, foi deixado de lado.  Esquecimento é geralmente um fenômenos ideológico de linguagem.  Mesmo os nossos próprios esquecimentos obedecem a uma lógica de conforto sobre o que deveríamos, ou não, pensar ou vivenciar - uma lógica em certo sentido ideológica.

No caso específico, o esquecido é alguém cuja história está intimamente ligada ao grupo mas que, ao cometer um monte de erros, gerou mágoas quase intransponíveis.  Por isso, ao serem homenageadas figuras importantes ao grupo, uma cachorra foi lembrada mas não o ex-líder.  O ex-líder foi esquecido, mas uma cachorra foi destacada sob o argumento de que as homenagens diziam respeito a quem cuida da segurança do grupo.
Qualquer análise mais superficial, ao colocar lado a lado a homenagem à cachorra e à não homenagem ao ex-líder, vai compreender se tratar de desculpa qualquer justificativa - a mensagem é muito clara: a cachorra, não o ex-líder, merece homenagem.
Freud explica.

Comentários

  1. Isso se dá porque o Ser humano sempre está na condição de "estar magoado", nunca vislumbra a possibilidade de estar do outro lado em algum momento da grande caminhada "vida". Regia

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  2. Exatamente, Régia.

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