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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Londres em chamas: manifestantes têm pena mais severa

Após cerca de duas semanas do início da onda de protestos em Londres, que se espalhou por Manchester, Liverpool e outras cidades da Grã-Bretanha, as sentenças da Justiça britânica para os envolvidos nas agitações mostram-se mais duras que o normal. Justamente o que defendeu o premiê David Cameron, para quem as penas devem “passar uma clara mensagem do que não será tolerado” aos cerca de 2,6 mil presos durante os protestos.
Um levantamento das sentenças de mil casos já finalizados, feito pelo jornal britânico The Guardian, mostra que as cortes estão aplicando penas 25% mais longas na comparação com ocorrências de 2010.
Deste número, mais da metade das pessoas foi condenada por furto e receptação de materiais roubados.
Os dados apontam ainda que 56 dos 80 indivíduos já sentenciados por magistrados, ou 70% do total, receberam termos de prisão imediata. O índice normal em casos de detenção nas cortes é de apenas 2%. No total, o tempo médio das penas aplicadas é de cinco meses, ante 4,1 de 2010 – na Grã-Bretanha, as sentenças para transgressões individuais não podem passar de seis meses.
Contudo, o endurecimento da abordagem nos casos dos distúrbios recentes pode esgotar o número de vagas disponíveis no sistema carcerário britânico, além de criar casos no mínimo questionáveis.
Na terça-feira 17, Jordan Blackshaw, de 20 anos, e Perry Sutcliffe-Keenan, de 22 anos, foram condenados a quatro anos de prisão por convocarem, via Facebook, revoltas nas cidades inglesas de Northwich e Warrington, às quais não houve resposta popular. Outro caso de distorção nas sentenças é o de Ursula Nevin, de 24 anos, que recebeu cinco meses de prisão em Manchester por aceitar uma bermuda roubada. Porém, sua pena foi convertida em 75 horas de trabalho voluntário, uma vez que nem ao menos participou dos protestos.
Segundo a BBC, cerca de 60% dos acusados foram mantidos sob custódia para aguardar julgamento na corte, comparado a um índice de 10% para crimes graves em 2010. Com isso, a população carcerária da Grã-Bretanha ganha cerca de 100 presos por dia e já atingiu o recorde de 86,6 mil pessoas na Inglaterra e no País de Gales.
A Associação dos Administradores Prisionais já informou que se o crescimento continuar nesse ritmo, não haverá espaço disponível nas instituições penitenciárias. Por isso, o sistema prisional tem planos de contingência que incluem reabrir acomodações, duplicar ou triplicar o número de detentos em celas projetadas para abrigar uma pessoa e até adiar o fechamento de duas pequenas cadeias em Londres e Worcestershire.
Segundo a Associação, ainda há 1,4 mil vagas disponíveis nas prisões britânicas. Porém, apenas 1297 pessoas presas em decorrências dos protestos foram a julgamento até quarta-feira 18. O fato preocupa as autoridades, pois uma lotação do sistema prejudicaria os programas de educação e reabilitação prisionais.
Além disso, a Grã-Bretanha poderia ser forçada à recorrer ao plano emergencial Operation Safeguard, no qual celas de delegacias seriam utilizadas para suprir a demanda.

Corte de benefícios
David Cameron, que tratou os manifestantes como “ladrões” e “doentes”, lançou o programa Tolerância Zero no domingo 14. Na ação, os envolvidos nos distúrbios poderão ter seus benefícios sociais cortados no país com maior desigualdade social da Europa.
Além disso, dados do Escritório Nacional de Estatísticas (ONS) mostram que até junho, 20% dos jovens entre 16 e 24 anos - faixa etária muito presente nos protestos -, ou 950 mil pessoas, estavam desempregados.

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