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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

#ForaMicarla: Acordão pode incluir PMDB, DEM e PDT

De Alisson Almeida, no Portal No Minuto

Já virou lugar-comum dizer que, em política, tudo pode acontecer. Essa surrada máxima popular, porém, está prestes a se confirmar novamente. Caso prosperem as conversas pré-eleitorais em curso, 2012 poderá marcar o nascimento de uma aliança até então inimaginável reunindo PDT, PMDB e DEM em torno da candidatura do ex-prefeito Carlos Eduardo. O acordo representaria ainda a pax pública para a família Alves, separada politicamente há quase uma década, mas que voltaria, agora, a dividir o mesmo palanque em Natal.

O primeiro passo para isso ocorreu na última sexta-feira (12), num almoço que reuniu os peemedebistas Henrique Alves, Garibaldi Alves Filho, Walter Alves e os pedetistas Agnelo Alves e Carlos Eduardo Alves. A reunião, além do caráter familiar, serviu para tratar da sucessão da prefeita Micarla de Sousa (PV). Carlos confirmou que a possibilidade de aliança foi discutida e, mais que isso, afirmou, com veemência, que vai “lutar” pelo apoio dos primos do PMDB.



Um dia antes, Henrique e Garibaldi haviam almoçado, em Brasília, com o senador e presidente nacional do DEM José Agripino Maia e com o marido da governadora Rosalba Ciarlini (DEM), o ex-deputado estadual Carlos Augusto Rosado (DEM). Na pauta dos comensais, o mesmo assunto: a eleição municipal de 2012 em Natal.

Questionado sobre como via a movimentação do PMDB, que no intervalo de um dia senta-se à mesa com o DEM e o PDT, antagonistas no Estado, para tratar de alianças, Carlos Eduardo disse que “todos os partidos estão conversando” e lembrou que democratas e peemedebistas são aliados no Rio Grande do Norte desde 2006, quando se uniram em torno da candidatura a governador do senador Garibaldi Alves Filho.

Perguntado se aceitaria dividir o palanque com o DEM, Carlos Eduardo disse que a prioridade do PDT é “buscar aliança com partidos da base aliada [da presidenta Dilma Rousseff]”, mas acrescentou que não iria “recusar apoios”. “Mesmo vindo do DEM?”, insistiu a reportagem, ao que o ex-prefeito respondeu positivamente.

“A nossa conversa [dele e do pai Agnelo com Henrique, Garibaldi e Walter] foi sobre o PDT e o PMDB, não sobre o DEM. Minha prioridade é fazer aliança com os partidos da base, mas não estamos fechados a apoios”, declarou.

Carlos Eduardo enfatizou que o único veto em seu palanque é à prefeita Micarla de Sousa, sua principal adversária e desafeto político. Depois que assumiu o governo municipal em 2009, a pevista adotou a estratégia de criminalizar a administração do pedetista, responsabilizando-o pelo que chamou de “caos” que teria herdado do antecessor.

O ex-prefeito disse, ainda, que as conversas com o PSD, legenda em fase de criação e que deverá ser presidida no RN pelo vice-governador Robinson Faria, “permanecem em aberto”. Esse seria mais um partido a engrossar o arco político da candidatura de Carlos Eduardo.

Mas ao tentar arquitetar uma aliança tão ampla, Carlos Eduardo corre o risco de desagradar partidos mais à esquerda do espectro político, como o PC do B, cuja militância sempre manifestou simpatia pelo nome dele. Além disso, é improvável que o DEM do senador José Agripino e o PSD do vice-governador Robinson Faria dividam o mesmo palanque em Natal. É que o líder dos democratas ingressou com uma ação no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) contra o registro da nova legenda no RN, o que levou à cisão entre Agripino e Robinson.

A movimentação do PMDB, tentando juntar PDT e DEM na mesma aliança, parece sugerir que essa é uma estratégia para isolar Robinson Faria. O apoio peemedebista exigiria de Carlos Eduardo, em contrapartida, o respaldo à candidatura a senador de Henrique em 2014 – mesmo cargo almejado pelo vice-governador. Como ninguém, em tese, pode servir a dois senhores, Carlos pode ser obrigado a se decidir entre Agripino e Robinson.

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