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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

#EjectJobim: Amorim e a “opinião” dos militares

De Paulo Moreira Leite:

Confesso que o debate sobre a nomeação de Celso Amorim para o ministério da Defesa tem um elemento surrealista.

Amorim foi nomeado pela presidente da República, que é a comandante-em-chefe das Forças Armadas. Em sua posição, Amorim é superior hierarquico a generais, brigadeiros e almirantes, capitais e soldados.

Mesmo assim, a diversão do dia é perguntar — em off — a opinião dos comandantes militares sobre Celso Amorim.

Não faz sentido.

Os militares, no Brasil, não são um poder autônomo. Não tem opinião. Tem o dever da obediencia. Estimular qualquer manifestação política da caserna é um jogo viciado e perigoso — quem se coloca no direito de questionar a nomeação de um ministro também pode se considerar, em breve, no direito de questionar a presidente, não é mesmo?

É tão absurdo que ninguém foi perguntar os professores das universidades federais o que eles acham do ministro Fernando Haddad na Educação quando Dilma resolveu mantê-lo na pasta. Também não se pergunta a opinião dos médicos que prestam serviços ao SUS sobre o ministro Padilha. Voltando a caserna: alguém já perguntou aos coronéis o que eles pensam dos generais?

O vício de ouvir a “opinião” dos militares é uma herança da ditadura e precisa ser superado por fardados e paisanos.

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