Pular para o conteúdo principal

Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Benito Gama, Eliana Lima e a indignação seletiva dos jornalistas da Taba

Do Embolando Palavras:

Fiquei sabendo pelo Twitter do caso da agressão do secretário Benito Gama (Desenvolvimento Econômico) à jornalista Eliana Lima (Tribuna do Norte). Manifestei, pela rede social, meu repúdio ao fato. A intimidação, a coerção e a ameaça têm sido, muitas vezes, a resposta que os que se julgam intocáveis usam para reagir aos questionamentos, críticas e denúncias contra si.

O secretário não gostou de uma nota que a jornalista postou no blog dela e respondeu atirando: a chamou de “abelhuda”, disse que ela “faltou às aulas de ética jornalística” e fez insinuações sobre a forma como a mesma paga as contas dela.
Benito Gama, obviamente, tem todo o direito do mundo de contestar a informação publicada pela jornalista. Mas contestar não é o mesmo que destratar. O secretário, como agente público, deve satisfações à sociedade, cujos impostos pagam o seu salário, as suas viagens e as mordomias advindas do cargo que exerce.

Tenho uma tese para explicar a reação de Benito Gama: é o DNA do DEM. Os antigos pefelistas trazem o autoritarismo impregnado na alma. É da natureza deles. O secretário em questão foi importado da Bahia pela governadora Rosalba Ciarlini. A história política dele está ligada até à medula ao coronelismo do falecido Antônio Carlos Magalhães, o babalorixá que mandou e desmandou durante décadas naquele Estado.

A atitude de Benito Gama, portanto, não chega a surpreender. Era quase esperado. Isso, evidentemente, não o isenta de culpa. Mas minha indignação para por aí. Ouvi falar que organizaram um regabofe em desagravo à jornalista. Fiquei me perguntando por que, em outros episódios de agressão contra jornalistas que exerciam seu direito de expressão, opinião e crítica, não se propôs nada parecido.

Eu já fui agredido em função da minha atividade jornalística e tenho amigos, como o jornalista Daniel Dantas, que passaram pela mesma situação, embora a natureza da agressão tenha sido diferente. As manifestações de solidariedade, no meu caso, ficaram restritas a poucos amigos, a um ou outro jornalista mais corajoso e a alguns anônimos que ecoaram seu protesto aqui no blog. O Sindicato dos Jornalistas preferiu ficar em silêncio, alegando que se tratava de algo “pessoal”.

Não posso discorrer sobre esse assunto, por força de um acordo judicial. Isso, porém, demonstra como vivemos numa terra em que princípios são lembrados e descartados conforme a conveniência. Os mesmos que agora estão “indignados” com a agressão do secretário Benito Gama à jornalista Eliana Lima ficaram calados nessas outras situações. A indignação só vale para as figuras dos jornalões ou para quem é filho (a) de dono de jornal?

Comentários

Postagens mais visitadas