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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Ainda a querela de Walter Carvalho

Por Mary Land Britto
No Diário do Tempo


Me sinto na obrigação de tecer alguns comentários sobre a polêmica que atualmente estamos inseridos. Antes de mais nada, exibir a cópia pirata do filme realmente é falta grave que não se questiona. Pelo que soube, uma cópia original havia sido pedido a Walter Carvalho e esta estava sob seu poder, não chegando à equipe técnica que controlava o sistema de som e imagem e passando despercebido pela pessoa da organização responsável por este evento. Só sei dessa informação porque, no decorrer dos fatos, acabei me prontificando a ajudar a resolver, simplesmente como uma amante do audiovisual que gostaria de ter acesso a tudo o que foi planejado e pudesse somar para minha formação. Eu mesma testei a mídia trazida por Walter em mais de um computador e DVD, sem sucesso.

Eu estava presente na platéia como outro ser humano qualquer participando do evento como mera espectadora juntamente com a turma da disciplina que estou ministrando no curso de Cinema da UNP, o de direção cinematográfica. Quando o áudio começou a dar errado, a professora Isaura, que estava sentada ao meu lado e dos meus alunos pediu para que eu tentasse saber o que estava acontecendo. O resumo da história foi: polêmica do DVD pirata, DVD original sem funcionar as funções do menu conforme o diretor queria, Walter Carvalho ignorando que a mídia original estava com problema, decisão de não exibir o filme, bate papo enriquecedor de mais de três horas.

Como realizadora, pesquisadora e professora da área audiovisual, acho louvável eventos como este e uma pena que dez minutos de polêmica possam chamar mais atenção que três horas de ensinamento, debate e oportunidade de conversar cara a cara com um dos expoentes do cinema nacional que muito tinha a contribuir com a nossa formação. Nós que moramos pras bandas de cá do querido elefante, tentando juntar som e imagem de maneira que dê arte, temos muito a escutar sobre o assunto, afinal, uma de nossas principais reclamações é a falta de acesso a cursos, profissionais e oportunidades de melhorarmos nossa produção.

É importante frisar também, que o bate papo com Walter Carvalho, diferente do que diz o texto de Sérgio Vilar, não foi o primeiro desta série audiovisual. Um dia antes foi exibido o filme de Roberto Berliner “A pessoa é para o que nasce” que contou com a presença das protagonistas – As ceguinhas de Campina Grande – realizando uma bela apresentação cultural. A programação se estendeu ainda por outros dias, sendo substituído o diretor Escorel, como lembrando aqui no fórum, por razões não informadas.

Acho super válida toda essa discussão, acho que valem as críticas para a coordenação do evento promovido pela FJA estar mais atenta a questões básicas do audiovisual e mais ainda, acho que não podemos ignorar outra questão importante que surgiu do episódio Walter Carvalho e que adormece sem que lhe seja dada a devida atenção: o comportamento da equipe do comércio de DVDs piratas da “Sétima Arte”.

É de conhecimento de todos que esta banca preenche uma lacuna de acesso a filmes raros para os cinéfilos da cidade, porém nada lhes dá o direito de gravar sua propaganda nos DVDs que reproduz. Já não basta se beneficiar economicamente ignorando toda e qualquer questão referente a direito autoral e de distribuição?

Bom, em todas as questões levantadas acima não há maniqueísmo, existem fatos que somaram em nossa formação, outros que mostraram que ainda há muito o que melhorar no audiovisual do nosso Estado.

Porém, feitas as devidas avaliações do evento, o que se faz sempre necessário, só desejo que venham outros diretores, que venham outros eventos audiovisuais, que haja mais organização e que os futuros encontros possam acontecer de maneira mais tranqüila como as águas do nosso Potengi.

Saudações

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