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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

A revolta de Walter Carvalho no TCP

Do Diário de Tempo:

Vergonha alheia é pouca. Mas antes de contar o episódio ocorrido semana passada no TCP, opino: a iniciativa da exibição de documentários relacionados à cultura popular na programação do Agosto da Alegria foi massa, apesar da falta de Escoréu sem motivos muito explicados. Mas vamos à novela:

Já no primeiro dia, o maior nome da Mostra, o diretor Walter Carvalho, é convidado para comentar seu  doc, chamado “Moacir”. Contava a história de um personagem real, urbano, com distúrbios neuróticos. O cara foi encontrado pelo diretor nos rincões de Goiás.

Quando inventam de colocar o filme, eis que exibe na tela: “Conheça o 7ª Arte”… Para quem desconhece, o 7ª Arte é o box localizado no camelódromo da Cidade Alta especializado em filmes piratas raros do cinema. Ou seja: exibiram o pirata do filme de Walter Carvalho na frente do diretor do filme!
O absurdo não para por aí. O diretor se manifestou irado e disse que tinha trazido um original. Quando colocaram, nada do áudio. Ele reclamou de novo. Recolocaram, e mais uma vez, nada. Na tarceira vez, ele ameaçou ir embora. Isaura Rosado, caladinha até então, pediu para Mary Land Brito resolver.

O diretor bateu um papo com alunos do Curso de Cinema da UnP e demais presentes no TCP, enquanto Mary Land testava a fita em dois aparelhos e em um computador. Descobriu-se que o problema era no DVD. Lula Augusto sugeriu a exibição do piratão. Com essa, o produtor do filme bateu a porta e foi embora.

Fim das contas: o filme não foi exibido, mas Walter Carvalho respondeu as perguntas da plateia. E mais: se disponibilizou a ajudar na restauração de um dos primeiros filmes em que trabalhou, como diretor de fotografia: Boi de Prata, rodado aqui no RN. O filme está sumido. Mas uma aluna de cinema, parente do diretor Augusto Ribeiro Júnior, prometeu ver isso.

Sei que Walter Carvalho só volta ao RN para férias ou se aceitar o convite para patrono da primeira turma de Cinema da UnP. Para participar de projetos patrocinados pelo poder público, nunquinha. E o 7ª Arte, sinceramente: acho um trabalho de divulgação até considerável, mas colocar propaganda já é abuso, hein?

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