Pular para o conteúdo principal

Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

@s_vilar: Artes e Traquinagens com a cultura

A despeito dos apoios dados ao Ministério de Louvor Diante do Trono, Sérgio Vilar destaca como o poder público, acostumado a não liberar sequer cachês, está tratando a cultura potiguar:

Ironia: o grupo se chama Artes e Traquinagens. Mas quem aprontou das suas foi a Fundação José Augusto. Uma das companhias de teatro de rua mais atuantes da cidade, contemplada com o título de Ponto de Cultura, está parada. O motivo: atraso de um ano no pagamento de mais de R$ 30 mil do Governo do Estado. A maior parte do dinheiro é referente ao Agosto de Teatro, realizado em 2010. Outros 23 grupos e artistas também esperam receber seus cachês, além de empresas que prestaram serviço e juntas somam uma dívida de R$ 220 mil.

Sem dinheiro para quitar débitos de aluguel e manutenção da sede do Artes e Traquinagens, no Alecrim, o ator João Pinheiro tem vendido títulos de capitalização diariamente no calçadão da João Pessoa, na Cidade Alta. Foi a maneira encontrada para o Ponto de Cultura Mãos nas Artes – administrado pelo grupo – não cair no limbo. E junto com ele, oficinas de figurinos e adereços, malabares, palhaço, teatro de bonecos e de rua. Tudo oferecido de graça à comunidade. “São dez anos de estrada. Queremos manter o grupo sem cobrar pelas oficinas”.

As dificuldades começaram quando o Artes e Traquinagens e outros artistas precisaram sair do República das Artes, há quase dois anos. O prédio foi reformado para abrigar a nova unidade do IFRN. O Governo do Estado e o IFRN se comprometeram em doar um galpão localizado na Ribeira para receber os artistas sobreviventes ao fim da velha sede de tantas artes. Mas o prazo para regularizar a doação demorou e o local foi tomado pela CBTU. O grupo se viu sem teto e resolveu alugar o atual ponto no Alecrim.

No primeiro ano de nova sede, o Artes e Traquinagens funcionou de forma sustentável: contratos firmados, shows agendados em projetos do governo e verba do Ponto de Cultura liberada: os sonhados R$ 60 mil da primeira parcela. Um sonho que virou pesadelo. O grupo recebeu o montante revertido em equipamentos (som, máquinas de costura, tablado…), conforme previsto no regulamento. Mas precisaram pagar em dinheiro mais de 30% de impostos imprevistos no orçamento enviado ao Ministério da Cultura.

As atividades até então dinâmicas começaram a reduzir o ritmo. E vieram as contratações sem pegamento. Apenas do Agosto de Teatro são R$ 2,5 mil. Mais quatro apresentações em eventos somam R$ 4,5 mil. E somados ao Prêmio de Circulação de Espetáculos Chico Vila e o Edital Lula Medeiros de Teatro de Rua, com R$ 23 mil, a dívida se aproxima dos R$ 30 mil, afora o boneco gigante da dengue, confeccionado a pedido da prefeitura, também sem o pagamento de R$ 1,3 mil. “Para levarmos nosso espetáculo há um custo. E só gastar sem receber, não dá”.

Para sanar dívidas de manutenção da sede e das apresentações, João Pinheiro, já garoto propaganda da Natal Cap com o personagem Zé da Sorte, agora também vende os títulos na rua. Se o grupo atrasar mais aluguéis e perder a sede no Alecrim, perderão por tabela o título de Ponto de Cultura – que exige uma sede para o envio dos equipamentos e as outras duas parcelas no valor de R$ 120 mil em equipamentos.

A gosto de Deus
A secretária extraordinária de Cultura, Isaura Rosado, prometeu pagar ou anunciar a data de pagamento da dívida de R$ 220 mil, referente ao Agosto de Teatro, em 4 de setembro. Desse montante, R$ 60 mil são de cachês (prêmios) aos artistas e grupos, e R$ 160 mil destinados à infraestrutura do evento, montada pela empresa KMJ Produções e Eventos, vencedora da licitação. A empresa em questão, pertence a João Pinheiro, o “Zé da Sorte”. Em dívida com fornecedores que prestaram serviços sob a promessa da liberação do dinheiro, a empresa está impossibilitada de emitir notas fiscais desde então.

Segundo João Pinheiro, o evento foi realizado enquanto o processo de empenho da verba era realizado. Finalizado o evento, a verba estava empenhada, mas o dinheiro não foi liberado. “Saímos da Controladoria no dia limite, em 30 de dezembro, e nos certificamos que o dinheiro estava liquidado. Saímos relativamente tranquilos porque cairia no ‘restos a pagar’ e o governo que assumisse pagaria a dívida”, disse a coordenadora do Agosto de Teatro, Ivonete Albano. Mas em fevereiro o processo foi cancelado.

“Cancelaram um evento que aconteceu. Nunca vi isso”, lamentou João Pinheiro, endividado com empresas de turismo responsáveis pelas passagens dos grupos de fora; gráficas que confeccionaram camisetas; fotógrafos; empresas de audiovisual, etc. Apesar da dívida contraída na gestão passada, a atual administração lançou o projeto Agosto da Alegria, num total aproximado de R$ 600 mil investidos em mais de 30 dias de programação cultural.

Comentários

Postagens mais visitadas