Pular para o conteúdo principal

Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Pausa para o futebol: a frustração com o ABC

Ontem, ABC e ASA fizeram um jogo de sete gols em Arapiraca (AL), com muita alternância no placar. Foi um bom jogo mas nem tão eletrizante como o combate contra o São Caetano, terça passada. O ABC perdeu por 4 a 3, julgo que por seus próprios equívocos. O técnico Leandro Campos fez apenas duas alterações no jogo. E, em uma delas, trocou nosso melhor atacante no jogo, Ederson, mantendo Malaquias - que fez a melhor partida no campeonato. Claro que ainda podemos questionar: Leandro não é capaz de tirar um volante e pôr um atacante - nem com o time perdendo? O ABC joga com três volantes e não muda de jeito nenhum.
O lateral direito Nêgo estava morto de cansado no segundo tempo. Foi até o fim do jogo. Quando o ABC fez 3 a 2, Nêgo deu o empate ao ASA ao cometer pênalti bobo. O pênalti cometido pelo cansaço. Se quisesse ser conservador, Leandro poderia tirar o lateral e colocar um meia - empurrando Pio de volta à lateral, onde está jogando a maior parte do torneio. Mas Leandro terminou o jogo, perdendo e tendo feito apenas duas alterações.
No jogo de ontem, mais uma vez Wellington, goleiro alvinegro foi monstruoso. Dois milagres no início do jogo. Na terceira bola, seria pedir demais - e o ASA abriu o placar. Aí apareceu Cascata. Duas jogadas geniais. Deu de presente os gols de Ederson e Malaquias com passes precisos - poucos jogadores no Brasil têm hoje essa capacidade. O ABC virou.
Mais uma vez a defesa alvinegra falhou, permitindo o empate do ASA. Fim do primeiro tempo: 2 a 2. No início do segundo tempo, Pio fez o terceiro. Logo em seguida, o pênalti de Nêgo e o empate do ASA. No fim do jogo, o ASA fechou o placar: 4 a 3.

Faltam cinco jogos ao ABC no turno, sendo três em casa (Icasa, Barueri e Ponte Preta) e dois fora (Americana e Paraná). Como serão esses jogos e as chances do time?
Vencer o Americana em São Paulo é complicado. Jogo para contar como perdido. Podemos fazer doze pontos, entre esses quinze possíveis ainda no turno. No entanto, acho mais provável que o ABC tenha pelo menos dois empates e uma derrota nos cinco jogos: oito pontos, fechando o turno com 30 em 57 possíveis (52,63%). Esse desempenho resultaria em 60 pontos no fim do campeonato - batendo na trave do acesso .
Mas tem mais a se considerar. Os 22 pontos conquistados até agora o foram em seis jogos em casa e oito fora, com um desempenho de 52,38%. Ao fim do turno, o time terá feito mais jogos fora, o que se inverte no returno, evidentemente.
Então: o desempenho em casa hoje é de doze pontos em dezoito jogados (66,67%). O desempenho fora, que até há pouco tempo era o melhor do campeonato, é dez pontos em 24 (41,67%; após a vitória contra o Guarani, era 50% - desempenho está caindo). A se manter o desempenho atual em casa e fora, ao fim do campeonato o ABC conquistará 38 pontos em casa e 24 (23,75) fora, sendo o total de 62 pontos (um desempenho global melhor: 54,38%). Ainda assim, não assegura nenhum acesso.
Umas comparações para entender tudo. Ano passado, o América/MG, último classificado no acesso, teve 63 pontos. Em 2009, o Atlético/GO subiu com 65. Em 2008, o Barueri subiu com 63. Em 2007, Vitória subiu com 59. Em 2006, o América subiu com 61. Ou seja, a média é 62 pontos (62,2). Daí para trás o campeonato não era por pontos corridos.
Se o ABC mantiver o atual desempenho, briga pelo acesso, mas tem chances pequenas de conseguir. Ideal é alcançar 65 pontos (57,01% de desempenho, cinco pontos a mais no percentual).
Fazer doze pontos nos próximos cinco jogos dá um desempenho de 80% (vencendo os 3 jogos em casa e não pontuando fora, por exemplo). O desempenho em casa passaria a ser de 88,89%. O desempenho fora cairia para 33,33%. Mantendo esses novos percentuais, teríamos 51 pontos em casa (50,67) e 19 pontos (18,99) fora, totalizando 70 pontos no fim (61,40%). Aí a briga seria para ser campeão. Veja: ano passado, o Coritiba foi campeão com 71 pontos. Em 2009, Vasco fez 76 (mas o segundo fez 69, o Guarani). Em 2008, o Corinthians fez 85, mas com o segundo fazendo 68 (o Santo André). Em 2007, o Coritiba (de novo) foi campeão com 69. E em 2006, Atlético MG foi campeão com 71.
Ou seja, o ABC tem plenas condições de brigar do sexto lugar para cima até o fim do campeonato.

Comentários

Postagens mais visitadas