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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Oligarquias: os novos movimentos dos Alves e dos Maias em Natal


Durante décadas, as duas oligarquias que dominam o Rio Grande do Norte se dividiram para se revezar e se manter no poder. Em 2006, quando essa estratégia parecia esgotada, as famílias Alves e Maia passaram por cima da histórica rivalidade, se uniram em torno da candidatura a governador do senador Garibaldi Filho (PMDB), contra a candidatura à reeleição da governadora Wilma de faria (PSB). O resultado nós conhecemos. Wilma derrotou Garibaldi e governou o estado por mais quatro anos.
Garibaldi e seu outrora desafeto político, o senador José Agripino Maia (DEM), repetiram em 2010 a aliança ensaiada em 2006. Dessa vez, ambos eram candidatos a renovar os respectivos mandatos no Senado e, novamente, tinham como adversária Wilma de Faria, recém saída do governo para tentar se eleger senadora.  Garibaldi e Agripino devolveram a derrotada anterior e impuseram a Wilma uma derrota humilhante. Além disso, ajudaram a eleger Rosalba Ciarlini (DEM) governadora do RN. Uma vitória inconteste.
Esse novo pacto só teve um intervalo em 2008, quando José Agripino patrocinou a eleição da prefeita Micarla de Sousa (PV), contra a candidatura da deputada federal Fátima Bezerra (PT), à época apoiada pelos primos Garibaldi Filho e o deputado federal Henrique Alves (PMDB). Depois, as posições se inverteram: Agripino rompeu com Micarla, enquanto Henrique e Garibaldi se aproximaram dela.
Micarla, como sabemos, enfrenta um desgaste administrativo nunca visto na história política de Natal. Com seus quase 90% de reprovação, superou, inclusive, o ‘lendário’ ex-prefeito Aldo Tinoco. Ninguém sabe se a prefeita, mesmo nessa situação adversa, irá se candidatar à reeleição em 2012. Caso decida ir para a arena da disputa eleitoral, deverá estar sozinha, sem contar com o respaldo daqueles que a carregaram nos braços em 2008 (José Agripino, Felipe Maia, Rogério Marinho, João Maia, Fábio Faria, Robson Faria).
O vácuo deixado pela prefeita Micarla de Sousa alimenta à cada dia o surgimento de novas teorias sobre a sucessão natalense. Faltando pouco mais de um ano para a eleição, quase todos os partidos asseguram que terão candidatura própria, o que, se vier a ocorrer, provocará um verdadeiro congestionamento de candidatos ao Palácio Felipe Camarão, sede do Executivo do Município.
PT, PSB, PSDB, PMDB e DEM prometem colocar seus respectivos blocos na rua para disputar a preferência do eleitor de Natal. Neste domingo, porém, uma notícia da Folha de S. Paulo acrescentou mais uma peça ao incerto jogo de 2012. De acordo com o jornal, DEM e PMDB negociam alianças em pelo menos três capitais para as eleições do ano que vem: São Paulo, Salvador e Natal.
Em Natal, o PMDB negocia apoio ao filho do senador Agripino Maia, Filipe Maia“, informa a reportagem. Há alguns dias, Henrique disse que quem apostasse contra a candidatura própria do PMDB iria “quebrar a cara”. A se confirmar a informação da Folha, a pré-candidatura peemedebista do deputado estadual Hermano Morais deverá ser novamente ser rifada. Mais uma vez, em nome do pragmatismo, as oligarquias poderão dividir o mesmo palanque.
Felipe Maia tem dito que a candidatura a prefeito não está em seus planos, mas não descartou completamente a ideia. A aliança com o PMDB pode ser o incentivo que falta para o democrata aceitar a empreitada. O apoio de Henrique e Garibaldi pode ser a senha para abrir os caminhos do governo federal para a eventual administração do filho de José Agripino, crítico ferrenho do governo do PT. A conferir.

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