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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

#LevantedoElefante: Fracasso?

Leio no twitter opiniões apressadas dando conta de uma fracasso na manifestação #LevantedoElefante ocorrido nesta manhã.  De fato, um número reduzido de pessoas compareceram à marcha, que se reuniu na entrada do shopping Midway Mall e caminhou na direção da governadoria, no Centro Administrativo.  Ali, segundo anunciaram alguns integrantes do #ForaMicarla pelas redes sociais, estava prevista a ocupação da sede do governo estadual.
Mas eu acho que seria precipitado atribuir um fracasso à manifestação de hoje.  Lembro-me quando na terça-feira, 7 de junho, no primeiro #ForaMicarla a ser realizado pela manhã, o reduzido número de pessoas que foram as ruas e ocuparam a Câmara também me fizeram pensar em fracasso.  É cedo portanto para pensar em fracasso.  O acampamento foi montado em um local com muito mais potencial de crescimento e impacto - a praça diante da governadoria.
Aos poucos é tarefa do coletivo esclarecer os motivos da marcha, principalmente a solidariedade à luta dos estudantes do COMEM, que ocupam há mais de três semanas a sede do DIRED em Mossoró e que, nos últimos dias, passaram a ser tratados como terroristas pelo governo do RN, com água e luz cortadas.  Em vez de negociar, de dialogar, como é próprio à democracia, o governo recrudesce.
O tempo e os esclarecimentos devem fazer o acampamento aumentar.  Talvez não chegue aos 700 do Acampamento Primavera Sem Borboleta no seu maior dia, mas certamente poderemos estar, de novo, vendo a história do Rio Grande do Norte ser escrita diante de nossos olhos.
O endurecimento de Rosalba me faz pensar em cactos, não em Rosas.  Ela não percebeu ainda que o argumento das violências, quaisquer que sejam elas (inclusive o não-diálogo), produzirá derrotas para o povo, mas também o fim de sua própria credibilidade.

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