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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

@jeanwyllys_real: "Corri o risco de abalar a imagem de professor universitário"

O deputado federal Jean Wyllys (PSOL/RJ) se tornou celebridade ao participar e vencer o Big Brother Brasil, em 2005.  Ano passado, foi eleito deputado federal, compondo a bancada de três deputados do partido - ao lado de Chico Alencar (RJ) e Ivan Valente (SP).  Deu uma excelente entrevista ao Valor Econômico, com a devida vênia ao repórter que transformou orientação sexual em opção.   A seguir, um trecho:

O "BBB" era um sucesso no Brasil inteiro, e decidi estudar aquele gênero de entretenimento. A Maria Immacolata [Vassallo de Lopes], professora da USP, tinha publicado o livro "Convivendo com a Telenovela", que estuda a comunicação do ponto de vista do receptor, do público. Ela fez a pequisa a partir da novela de Aguinaldo Silva, "Pedra sobre Pedra". Eu queria aplicar essa metodologia a partir do "reality show", mas do ponto de vista do emissor, da origem da mensagem. Queria conhecer de dentro essa estrutura, passar por essa experiência. Usá-la para o doutorado. Mandei a fita para inscrição, disse que era gay, e só omiti que minha preocupação era acadêmica. Corri o risco de abalar a imagem de professor universitário num programa de massa, demonizado e mal visto pela intelligentsia brasileira. Mas tinha consciência de onde estava e da responsabilidade de estar ali. Então, foi uma coisa quase gramsciana, de ocupar espaços de poder para construir novas mentalidades, fazer daquilo um momento de representação positiva da homossexualidade. Me aceitaram. E ganhei, apesar de não esperar ficar por lá mais de três ou quatro programas.

Leia aqui o restante da entrevista.

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