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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

#ForaMicarla e a #NataldasAntigas

Ontem à noite o twitter ficou movimentado com a hashtag #NataldasAntigas.  Durante a maior parte da noite o assunto foi o mais comentado dos Trending Topics Brasil - seguido de perto, é bom que se diga, da #MossorodasAntigas.  No fim da noite e início da manhã outras cidades fizeram seus louvores a suas próprias histórias, como Manaus, João Pessoa e Campina Grande - todas visitando o TTBr.
Lembramos dos filmes assistidos no Rex, Rio Grande ou Nordeste e dos lanches da Casa da Maça e da Lobrás.  Lembramos os tempos em que as barracas de praia de Ponta Negra pareciam uma favela e quando a rua Erivan França era de barro.  Lembramos do jacaré do Aeroporto Augusto Severo e da rabeca de André na sorveteria Tropical.  Lembramos da Flash, Liverpool, Royal Salute.  Lembramos os hotéis Tirol, Residence e Reis Magos.
Eu lembrei de um tempo em que não vivi.  Nunca vivi uma gestão que entusiasmasse todo mundo o tempo todo.  Quando nasci, o prefeito era biônico, Marcos Formiga.  Lembro que havia um projeto educacional que copiava Djalma Maranhão - Em casa também se aprende a ler.  O rabo-de-palha de José Agripino ajudou a incendiar o entusiasmo democrático na eleição de Garibaldi, que derrotou a secretária de Ação Social do governador, Wilma Maia (depois, de Faria).  A eleição de Garibaldi foi uma festa.  Garibaldi não fez uma gestão desastrosa, mas como todos os sucessores, não tinha uma boa política para os servidores (minha família era de servidores), o que, junto à hiperinflação, fez nossa casa viver dificuldades.  Do mesmo modo, a sua sucessora, Wilma, que derrotou Henrique nas eleições de 88.
Evidente que eu lembrei de Aldo Tinoco.  Eleito por Wilma como seu sucessor, Aldo terminou o mandato no PSDB do presidente Fernando Henrique Cardoso.  Natal estava um caos, com toneladas e mais toneladas de lixo acumulado em todas as ruas devido à greve dos garis.  Aldo, dizem as más línguas, bebia em demasia.  Certa vez, pegou um ônibus coletivo e, como o motorista não parou em um ponto para pegar um passageiro, o prefeito se levantou para reclamar.  O motorista repreendeu-o, dizendo que devia estar no palácio do governo trabalhando e não andando naquele ônibus.  Aldo entrou para o anedotário popular como o pior prefeito que a cidade já viu.  Tanto que saiu da vida pública depois disso.
Depois de Aldo, tivemos um mandato e meio de Wilma de Faria e um e meio de Carlos Eduardo Alves.  Wilma foi regular e Carlos foi o melhor prefeito que eu vi em Natal.  Mas nenhum deles pode sufocar minha saudade de uma #NataldasAntigas que eu não vivi.  Falo da gestão popular de Djalma Maranhão.
Surpreendo-me todas as vezes que descubro novos detalhes do governo de Djalma - derrubado pelo golpe de 64, que foi apoiado e festejado pelo governador Aluizio Alves.  A participação popular era intensa, assim como o incentivo à cultura e projetos educacionais revolucionários como o copiado De pé no chão também se aprende a ler, que utilizava os instrumentos pedagógicos de Paulo Freire.  Dá saudades de um tempo não vivido.
Essas saudades aumentam quando eu me deparo com tantos buracos - ou, agora, desníveis - nas ruas da cidade, com a prefeitura mentindo e investindo R$ 250 mil em um show evangélico, com a terceirização da saúde pública, com tantos contratos suspeitos de irregularidade, enfim, com tanto caos e desgoverno como na gestão Micarla de Sousa.
Da #NataldasAntigas tenho saudade do não-vivido tempo de Djalma Maranhão.  Na #NataldoFuturo, certamente, lembraremos do dia em que Aldo Tinoco perdeu o trono de pior prefeito da cidade para Micarla de Sousa.

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