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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Empresário relatou a Kassab cobrança de propina em feira

Da Folha de S. Paulo, de hoje:

O prefeito Gilberto Kassab foi informado em março deste ano da existência de um esquema de cobrança de propina de políticos sobre a administração da Feira da Madrugada, que reúne 4.500 feirantes na região central da capital de São Paulo.
Kassab recebeu uma carta do empresário Geraldo de Souza Amorim, que comandou o espaço por cinco anos. Ele relatou ser alvo de chantagem, ameaça e cobrança de propina e citou políticos do PR como o deputado Valdemar Costa Neto.
Ontem, o Ministério Público Federal determinou à Polícia Federal a abertura de um inquérito para apurar "com urgência" a suspeita de crime de corrupção no caso.
A Procuradoria foi acionada pelo deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP).
Na correspondência enviada a Kassab, o empresário diz que, com o sucesso da feira, "cresceu o interesse de políticos, tais como: Waldemar da Costa Neto [sic], Milton Montes [sic] e até o hoje senhor ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento" -este deixou o cargo após acusações de corrupção.
Todos os citados são filiados ao PR, sigla presidida por Nascimento, e comandada em São Paulo por Valdemar.
"Fui durante muito tempo perseguido, ameaçado de morte, inclusive minha família", diz trecho da carta. A assessoria de Kassab confirma que ele recebeu a correspondência, mas diz que ela não foi lida.
Na edição de ontem, a Folha revelou que o vereador Agnaldo Timóteo (PR-SP), em troca de correspondência com o ex-administrador da feira, citou a cobrança de propina por parte de "oportunistas" de sua sigla.
"Você se lembra, Geraldo, que os oportunistas do meu partido te exigiram R$ 300.000,00 mensais? E eu pergunto: te pedi alguma coisa para levá-lo ao nosso ministro? Pedi alguma coisa para levá-lo à mesa do prefeito Kassab?", diz a carta, registrada em cartório.
A carta do empresário a Kassab foi enviada com cópia para os secretários Ronaldo Camargo (Coordenação das Subprefeituras) e Marcos Cintra (Desenvolvimento Econômico e Trabalho).
As pastas comandadas por eles fazem hoje a gestão do espaço em que funciona a Feira da Madrugada.
Além de políticos do PR, o empresário diz que foi "perseguido" pelo vereador Adilson Amadeu (PTB). "[Amadeu] tentou de todas as formas me chantagear", disse.
Amadeu preside uma subcomissão da Câmara Municipal que investiga as atividades da Feira da Madrugada. Na carta, o empresário insinua que o empenho do petebista em apurar o assunto seria uma retaliação pelo não pagamento de propina.

APARTAMENTO
A Folha também teve acesso a uma segunda carta, esta enviada pelo empresário ao vereador Agnaldo Timóteo, que motivou o texto no qual o político menciona a cobrança de propina.
Nela, Amorim diz escrever para "externar a indignação" pela demissão da filha -que trabalhava no gabinete de Timóteo- e "relembrar" que contribuiu para que o vereador chegasse ao "sucesso".
"Lembra-se da compra de seu apartamento?", disse.
No texto, Geraldo afirma que 30% do salário que a filha recebia era repassado a um funcionário de Agnaldo Timóteo. As cartas serão encaminhadas ao Ministério Público.

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