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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

E se Murdoch tiver tentáculos verde-amarelos?

Blog da Cidadania

Não é comovente o apreço da mídia pela democratização da comunicação? Ontem, por exemplo, descobrimos que aquele que é – ou foi – o principal marionete da Folha de São Paulo, o colunista Clóvis Rossi, é visceralmente contra a concentração de meios de comunicação, apesar de trabalhar em império de mídia dito “Grupo Folha”.

Logo, logo veremos algum pistoleiro das Organizações Globo não apenas manifestar seu desgosto com a concentração de meios de comunicação, mas, tal qual seu congênere do “grupo” de mídia paulista, debitar esse descalabro, essa aberração que é a concentração de meios de comunicação no Brasil, aos tais “petistas furibundos”.

O mais curioso é que as designações que esses impérios de mídia se autoconcederam (grupo e/ou organizações) remetem, exatamente, a concentração de propriedade de meios de comunicação, pois os conceitos de “grupo” ou de “organizações” significam, inequivocamente, que são formados por vários veículos pertencentes a um único dono.

Mas vamos em frente.

Passarinho londrino andou enviando e-mail a este blogueiro “sujo” e “primário” – tendo este último epíteto me sido dado e comunicado, em pessoa, por colega de Rossi que escreve na página A2 da Folha. Segundo a ave britânica, a razão de a mídia autóctone estar se debruçando – e esculachando – tanto seu congênere Rubert Murdoch se deve a espécie de “seguro”.

Explica-se: o escândalo do PIG londrino pode não se limitar a respingar no equivalente além-mar no hemisfério Norte. As estripulias de Murdoch parecem ter descido aos trópicos, mais precisamente até país encharcado de ouro negro e governado por alguém que acaba de comunicar ao mundo que está sendo acometido pela doença inominável.

Daí para essas estripulias murdochianas virem respingando mais ao sul, segundo o canto da ave tupiniquim radicada na Europa parece que será um pulo, pois os tentáculos do autor intelectual do The News of the World estariam mais do que estendidos por toda a América Latina – especulação que, convenhamos, soa mais do que verossímil.

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