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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Chico Buarque prefere Cálice ao Grita para não se indispor com Ana de Hollanda


O músico Sérgio Ricardo lançou um manifesto intitulado GRITA  com o objetivo de organizar a classe artística, em especial músicos, para discutir questões relativas aos direitos no setor.
Num dos trechos do manifesto há uma crítica direta ao Ecad: “Já que estamos com a boca no trombone, em plena CPI no Congresso, comecemos pela música. O nosso objetivo básico é a reparação dos males causados pelas irregularidades dos meios adotados pelo Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad), carente de transparência na arrecadação e distribuição dos direitos autorais e com sérios problemas estruturais.”
Sérgio Ricardo passou o texto por email a vários artistas, entre eles Chico, que respondeu sugerindo a mudança da palavra “impecilio” (sic) por “impedimentos”.
Sérgio aceitou a sugestão e respondeu que ele seria o primeiro da lista do manifesto.
“Foi a primeira resposta. Será, pois, o primeiro da lista. De acordo?
Posso abrir para os demais?”
A resposta de Chico Buarque, também por email:
“Claro, meu irmão”.
A segunda assinatura do manifesto era do sociólogo Emir Sader, desafeto da ministra da Cultura Ana de Hollanda, irmã mais nova de Chico.
O texto foi veiculado por alguns veículos de imprensa  e segundo Sérgio Ricardo “dez dias após o lançamento do blog, com seu nome abrindo a lista, com surpreendente número de adesões”, Chico teria lhe enviado um email onde dizia que “preferia se manter à margem de assuntos que de alguma forma envolvam o Ministério da Cultura”. E solicitando que seu nome fosse retirado do manifesto.
Alguns músicos que assinam o documento afirmam em off que a ministra considerou uma traição a atitude do irmão e lhe solicitou  que retirasse seu nome do manifesto.
Sérgio Ricardo, em entrevista por email a este blogue, afirma que não especulou sobre as razões que o levaram a pedir para tirar o nome “em respeito ao grande amigo e companheiro”. Mas acrescenta que as palavras empecilhos e impedimentos “ironicamente são as mesmas que o fazem retirar o nome da lista”.
Sérgio Ricardo, porém, faz questão de ressaltar que “distrações todos nós cometemos. É humano”.
Chico no email onde solicitava a retirada do seu nome do manifesto disse que não havia percebido que  “por desatenção, eu lhe dei a entender que concordava em assinar tal documento”.

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