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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Bom texto: informação precisa ou análise?

Ontem meu amigo Alisson Almeida esteve no centro de uma pequena polêmica envolvendo as candidaturas do PT e do PSB à prefeitura de Natal no próximo ano. Uma fonte petista informou a Alisson que a deputada federal Fátima Bezerra (PT) teria se encontrado com a ex-governadora Wilma de Faria (PSB) na última segunda-feira.  Fátima confirmou o encontro, mas negou que o tema tenha sido a composição de uma chapa PSB-PT, encabeçada pela ex-governadora, com o deputado estadual Fernando Mineiro (PT) como vice.  Mineiro ficou irritado com essa história.  
Alisson publicou este texto defendendo a publicação da matéria.  Ele tem razão em dizer que, tendo a informação, precisava publicá-la.  E deu espaço ainda para a repercussão por parte de Mineiro e Fátima.
Acho, no entanto, que Alisson errou a mão no texto inicial, que tem um trecho copiado abaixo, e colocou Mineiro em uma situação no mínimo delicada:
Genildo [Pereira, secretário do PSB] lembrou, ainda, a pré-candidatura do ex-prefeito Carlos Eduardo (PDT), mas sem demonstrar muito entusiasmo pelo nome do ex-peessebista. Líder em todas as pesquisas de intenção de voto até então divulgadas, o pedetista se beneficia diretamente do desgaste da prefeita Micarla de Sousa (PV), cujos índices de impopularidade beiram os 90%. Ele, porém, enfrenta o desafio de agregar apoios políticos para viabilizar seus planos eleitorais. 

A estratégia de lançar a chapa Wilma-Mineiro e, em seguida, deixar a Prefeitura com o PT foi a mesma usada em 2002, quando a então prefeita renunciou para candidatar-se à sucessão estadual, passando o cargo a Carlos Eduardo. 

À época, a articulação saiu exatamente como havia sido planejada. Wilma elegeu-se governadora e, dois anos depois, Carlos Eduardo reelegeu-se prefeito de Natal. Em 2006, nova vitória do grupo liderado pelo PSB, com a reeleição da governadora. Mas em 2008, a hegemonia governista teve fim, com a vitória de Micarla de Sousa, derrotando Fátima Bezerra, candidata do bloco PT-PSB-PMDB. 

Em 2010, Wilma amargou um novo revés eleitoral ao ser derrotada pelos senadores Garibaldi Alves Filho (PMDB) e José Agripino Maia (DEM). Ela resiste em admitir a candidatura a prefeita, mas no PSB isso é dado como fato consumado. 

No PT, o desafio é convencer Fernando Mineiro a abrir mão de ser candidato em 2012 para, quem sabe, virar prefeito em 2014. Publicamente, o partido repete o mantra da candidatura própria, mas, internamente, algumas alas da legenda questionam se isso fortaleceria ou seria um tiro no pé da sigla. 

Mineiro insiste que quer ser candidato a prefeito. Ele tem, inclusive, maioria partidária para fazer valer sua vontade. Mas os que defendem a composição com o PSB argumentam que, sozinho, ele tem poucas chances de sucesso.
Alisson concluiu o texto interpretando o cenário político, emitindo, assim, sua opinião.  Se Mineiro tem a maioria do partido em favor da candidatura própria, não há desafio no PT para dissuadí-lo de ser candidato.   O uso de expressões como quem sabe, mantra, tiro no pé, insiste que quer ser, fazer valer sua vontade, poucas chances colocam o PT em uma situação delicada no texto.  E insinuam que a candidatura a prefeito é um projeto pessoal de Mineiro - não do partido -, que ele tenta impor ao restante da legenda.  Justifica-se, desse modo, em minha opinião, a irritação do deputado: o texto foi além da informação e expôs uma opinião bastante negativa sobre ele e seu partido.

Comentários

  1. Muito boa a análise, Daniel, embora considere suas premissas equivocadas. Mais tarde escrevo detalhadamente sobre o assunto. Abs.

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  2. Aguardo, essa informação.

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