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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

“Apagão” tucano irrita os paulistas

Do Blog do Miro:

Na noite de ontem (28), mais um apagão de energia elétrica atrapalhou a vida dos paulistanos. Segundo a empresa “privada” AES Eletropaulo, o corte prejudicou cerca de 700 mil residências e estabelecimentos nas zonas oeste e sul da capital paulista. Ele teve início às 19h06 e o fornecimento de energia só foi totalmente restabelecido às 20h15.

Clima de revolta chega à internet

A megalópole virou um caos. Semáforos de importantes ruas e avenidas foram desligados, ampliando ainda mais o inferno dos congestionamentos. A falta de energia afetou também o funcionamento da linha 4-amarela do metrô de São Paulo, que ficou parada das 19h12 às 20h29, superlotando as estações e penalizando milhares de usuários.

O clima de revolta entre os paulistanos cresce com os constantes apagões – nos últimos meses, já ocorreram inúmeros cortes de energia elétrica na cidade mais rica do país. A indignação inclusive já chegou às redes sociais. No início da noite, a hastags #semluz e #apagaosp foram o destaque no twitter. Infelizmente, a mídia privatista evita apontar os verdadeiros culpados pelo transtorno.

O desastre da privatização

Durante algum tempo, os tucanos se jactaram do processo de privatização das empresas de energia elétrica – o que encobriu até a apuração das denúncias de corrupção neste biolionário negócio. Agora, surgem os efeitos da privataria do PSDB. As empresas “privadas” não têm como objetivo maior o atendimento à população. A meta, como é óbvio no capitalismo, é com os lucros.

Para aumentar seus rendimentos, elas utilizam várias expedientes. Demitem trabalhadores e sobrecarregam os que permanecem – o que causa aumento dos acidentes de trabalho. Arrocham os salários e precarizam as relações trabalhistas, principalmente com o uso de trabalhadores terceirizados. Estas violências contra os trabalhadores já deterioram os serviços prestados.

O cinismo do governador

Além disso, elas também cortam custos reduzindo os investimentos na expansão e melhoria do sistema e, pior, na manutenção do serviço. As explosões de bueiros do Rio de Janeiro e os apagões constantes em São Paulo não são obra do divino espírito santo. Elas são conseqüência direta da privatização criminosa do setor promovida pelos tucanos – que a mídia privatista evita denunciar.

Diante do caos no setor, o governador Geraldo Alckmin – um privatista convicto, que se projetou como chefão do programa de desestatização em São Paulo – tenta aparentar indignação. Puro jogo de cena para evitar a corrosão das suas bases eleitorais. Na semana passada, a AES Eletropaulo foi autuada em R$ 26 milhões, na maior multa recebida pela empresa em toda a sua história.

Poder público conivente e frouxo

Mas ninguém bota muita fé neste “endurecimento” do governador diante dos amigos das empresas privadas de energia elétrica. Primeiro, porque geralmente as “privadas” são caloteiras e evitam o pagamento de multas através de recursos judiciais. Segundo, porque o tucanato, além de privatizar o setor, sempre foi conivente com as artimanhas gerencias destas companhias.

A Arsesp, agência estadual responsável por fiscalizar concessionárias do setor elétrico em São Paulo, sequer usou seu orçamento no ano passado para inibir as “privadas”. A fiscalização do poder público é totalmente frouxa. É não é por falta de reclamação dos usuários. Depois das teles – outro setor privatizado pelos tucanos –, o setor elétrico é o que apresenta mais queixas no Procon.

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