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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...
Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo!
Para sempre seja Deus louvado!
Viva Deus!

Sou nordestino, tenho sotaque
uso bodoque, danço com fole
piso o chão de Luiz
com o côco de Chico

Rio com a desgraça do cego
mango das catitas
fujo das baratas
danço boi-bumbá
toco ganzá
pulo, fuleiro, fogueiras
- Valeu, valhei-me boi!

Vejo o rio cheio
a seca que foi
a asa branca
o assum preto
a usina
o véi Januário
o Lua, a lua
Elino, é lindo
meu nordeste, minha gente
o que,
quem sou

Me encontro
uma gambiarra em pessoa
julgado galado,
reiado
por mim mesmo.

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