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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Vida

Vida

 

Homem mortal, profetize para o vento.  Diga que o Senhor Deus está mandando que ele venha de todas as direções para soprar sobre esses corpos mortos a fim de que vivam de novo.

Ezequiel 37. 9.

 

Um cadáver pode ser um corpo humano perfeito.  Todos os órgãos inteiros.  O organismo, perfeitamente funcional.  Você pode olhar um corpo em um caixão e se perguntar como pode estar sem vida se é tão perfeito.

Ezequiel foi levado a mais de uma de suas visões.  Viu um vale repleto de ossos sequíssimos.  O Senhor lhe perguntou se acreditava que aqueles ossos poderiam reviver, ao que o profeta respondeu que somente Deus seria capaz de responder a essa questão.  Então, Deus lhe mandou profetizar àqueles ossos para que voltassem à vida. 

Ossos se juntaram a ossos, neles cresceram carne, nervos, pele, cabelos.  Enfim, os corpos se reconstruíram.  Eram, novamente, corpos humanos perfeitos e perfeitamente funcionais.  Mas continuavam mortos.  Faltava-lhes alguma coisa essencial para que voltassem à vida.  Homem mortal, profetize para o vento.  Diga que o Senhor Deus está mandando que ele venha de todas as direções para soprar sobre esses corpos mortos a fim de que vivam de novo. Faltava que soprasse sobre eles o Vento.

É imediata a relação dessa história com a criação do homem.  Deus tomou a terra, montou o corpo de Adão, o fez perfeito.  Mas Adão estava morto até que o Senhor lhe deu o Seu Vento, o Seu Sopro: Então, do pó da terra, o Senhor formou o ser humano.  O Senhor soprou no nariz dele uma respiração de vida, e assim ele se tornou um ser vivo (Gn. 2. 7).

Essas duas histórias nos mostram que é bem possível que o formalmente perfeito não possua qualquer vida de verdade.  As estruturas de nossa vida, ou mesmo a própria vida, podem parecer perfeitas à nossa vista, como era perfeito o corpo de Adão ou aqueles corpos reconstruídos no vale, mas, ainda assim, estarem mortos.  A forma perfeita não é garantia de vida real.  Só o Vento do Espírito pode infundir a vida verdadeira.

Muitas vezes, vivemos boas vidas.  Formalmente perfeitas.  Na casca, está tudo muito bem.  Mas são vidas vazias de conteúdo porque lhes faltam a respiração de vida que somente o Vento de Deus pode trazer.  As vidas e as coisas em nossas vidas têm tudo para serem perfeitas, mas falta-lhes algo essencial para que suas estruturas funcionem em plenitude.  Tudo pode parecer funcional, mas não funcionar.  Porque é preciso experimentar o sopro do Vento do Espírito.  É preciso nascer, renascer no Espírito e na água.  Nascer o nascimento que Deus nos dá, do alto, pela ação do Vento.

Esse é um duplo desafio.  Alguns de nós jamais experimentaram qualquer nascimento do Espírito, fundamental para um relacionamento com Deus.  Andam por aí, de lá para cá, sem conhecer, de verdade, o Deus vivo que se revelou em Jesus Cristo.  Sem salvação, sem coração, sem vida de verdade.  Esses são como Adão, corpo morto sem a vida de Deus.

Outros, no entanto, já experimentaram algo desse novo nascimento, mas deixaram a vida ir embora.  Assemelham-se ao vale de ossos secos, reconstituídos mas ainda mortos até que recebam o Sopro de Vida do Espírito.

Para ambos os grupos, o futuro que Deus deseja é o mesmo.  É a vida no Espírito, em profunda comunhão com o Pai.  O desejo do Senhor é o novo nascimento no Espírito, é o renascimento para a vida conduzida pelo Vento.  É render-se ao Poder do Senhor, à obra de Jesus, a vida plena que Ele quer nos trazer.  É abrir o coração para aquilo que Deus quer fazer.

Essa nova dimensão de vida é de uma vida no Espírito.  Vida incerta, porque é vida levada pelo Vento.  O Vento sopra onde quer, e ouve-se o barulho que Ele faz, mas não se sabe de onde Ele vem, nem para onde vai.  A mesma coisa acontece com todos os que nascem do Espírito (Jo. 3. 8).  A vida no Espírito é vida de incerteza porque é vida inteiramente conduzida por Deus.  E porque os caminhos e os propósitos do Senhor são inalcançáveis para nossas mentes e para os nossos corações.  Não sabemos de onde vem, nem para onde vai.  Já que o Senhor diz: ?Os meus pensamentos não são como os seus pensamentos, e eu não ajo como vocês. Assim como o céu está muito acima da terra assim os meus pensamentos e as minhas ações estão muito acima dos seus? (Is. 55. 8 ? 9).

É uma decisão, mas uma decisão simples.  A escolha é toda nossa se permanecemos mortos, ainda que perfeitamente funcionais, ou se vamos clamar que o Espírito venha sobre nós, como Vento, como Sopro, para nos fazer reviver e viver a vida na dimensão da Sua Vontade.  Rendido a Ele, em comunhão plena com Ele.

 

Daniel Dantas

Missionário da 1ª IPI do Natal

http://cavernadeadulao.blogspot.com

 

Comentários

  1. Oi Daniel, saudade.Como sempre voce consegue se superar.O texto está lindissimo, Deus o abençoe.Dayse

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