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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Paz na tempestade

Paz na tempestade

 

Mestre! Nós vamos morrer!  O Senhor não se importa com isso?

Marcos 4. 38

 

Vez por outra a gente sempre enfrenta uma séria dificuldade: não sabemos exatamente como reagir a uma determinada situação.  Faltam-nos as palavras que poderiam ser dita, não temos compreensão total do que se sucede, nossos pensamentos não nos ajudam a guiar os passos diante do que se passa.  Ficamos mudos por não termos o que dizer, por não sermos capazes de perceber tudo o que acontece, por não sermos capazes de saber que palavras seriam apropriadas.

Geralmente isso se dá quando nos deparamos com grandes dores e tragédias.  É comum pensarmos: Fulano não merecia isso!  E ficamos meio assim, sem ter o que dizer.  É muito angustiante a sensação de querer apoiar, com uma Palavra de Deus, alguém que enfrenta uma grande dificuldade e não termos essas palavras.

Mas eu também costumo ficar sem palavras quando acontece algo ligeiramente diferente.  Uma amiga foi convocada a dar notícia a uma irmã que não sabia, até então, que estava acometida de um câncer e seria cirurgiada dessa enfermidade.  Toda preparada para um momento difícil, como de fato foi, foi surpreendida e emudecida com a reação da mulher: Você pode cantar aquele hino: ?Deus cuidará de Ti!??  As reações de paz, fé e tranqüilidade diante dos piores tormentos também costumam nos inquietar e nos emudecer.

Os discípulos ficaram com raiva de Jesus em uma situação como essa.  Estão lá naquele barco, atravessando o lago da Galiléia.  Do nada, vem um vento forte, ondas altas se abatendo contra o barco.  Os discípulos estão apavorados com aquele tormento.  Certamente, é o fim: o barco vai arrebentar e afundar e todos morrerão.  Olham em busca de Jesus e O encontram tranqüilamente dormindo, em profunda paz, na parte de trás do barco.  A paz de Jesus incomoda aqueles homens: Mestre! Nós vamos morrer!  O Senhor não se importa com isso?

Jesus podia dormir em paz porque sabia que estava sempre seguro nas mãos do Seu Pai.  Por mais complicada que fosse a situação, era o Senhor quem a controlava, e não o contrário.  Por mais terrível que fosse o tormento, podia haver paz naquele barco porque as vidas não correm em vão, mas é Deus quem mantém a história e as controla totalmente.  O barco podia estar sendo arremessado para todos os lados, mas Jesus podia ficar em paz porque sabia que aquilo não era definitivo.

No entanto, é interessante perceber que a paz de Jesus incomodou os discípulos.  Eles ficaram com raiva.  Provavelmente porque não tinha se atinado ainda para o que Jesus podia fazer, mesmo depois de verem tantos milagres extraordinários acontecendo diante de seus olhos.  Depois de ter repreendido o mar e o vento, diz Jesus: Por que é que vocês são assim tão medrosos?  Vocês ainda não têm fé? (Mc. 4. 40).

É a fé que pode trazer a paz nos momentos de maiores lutas e de maiores dificuldades.  É a fé em um Deus que sempre cuidará de nós que pode manter o nosso coração tranqüilo mesmo quando enfrentamos uma doença terrível, como o câncer daquela mulher.  É a fé, dos outros, que nos emudece.  Porque pela fé deles podemos antever o grande poder de Deus em ação.  Pela sua fé, vemos o que Deus pode fazer e calamos diante do Que é muito maior que nós.  Que homem é este que manda até no vento e nas ondas?! (Mc. 4. 41).

 

Daniel Dantas

Missionário da 1ª IPI do Natal

http://cavernadeadulao.blogspot.com

Comentários

  1. Gostei. Aplaudo todos os blogs de qualidade e o seu tem arquivos que não acabam mais. Lerei um por um.
    Outro blog que indico é o novo do poeta e escritor cristão Samuel Rezende - www.estacaonoturna.blogspot.com

    Beijos

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