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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Misticismo

Misticismo

 

Pois em Cristo, como ser humano, está presente toda a natureza de Deus, e, por estarem unidos com Cristo, vocês também têm essa natureza.

Colossenses 2. 9 ? 10

 

Há uma idéia constante em toda a carta de Paulo aos Colossenses.  Trata-se da noção de que toda a plenitude de Deus está em Cristo Jesus.  Em outras palavras, Paulo afirma e reafirma à igreja em Colossos que Jesus é o próprio Deus, plenamente poderoso, agindo em favor deles e em seu meio.

O mais fantástico, no entanto, para mim, é que em toda carta também Paulo está chamando os cristãos a disporem seus corações para uma vida de real intimidade com Jesus.  E a dimensão dessa comunhão é tão intensa que dificilmente não notaremos que, para Paulo, Cristo e o cristão, estando em relação, fundem-se como se fossem uma só pessoa. Pois em Cristo, como ser humano, está presente toda a natureza de Deus, e, por estarem unidos com Cristo, vocês também têm essa natureza.

Esta idéia é o fundamento de qualquer tipo de misticismo cristão firmado nas Escrituras.  A noção de que Deus está nos chamando para partilhar, em Cristo, de Sua vida, de Seu poder, de Sua natureza, de Sua glória.  E este chamado não se reserva a alguns poucos privilegiados e iniciados, mas é a vocação de todo e qualquer cristão.  Somos chamados para uma relação de tão profunda intimidade que podemos nos fundir e nos encontrar verdadeiramente ao sermos lançados às profundidades do relacionamento com Deus.  Somos a noiva que anseia pela consumação das bodas do Cordeiro.  Podemos viver a dimensão desse amor de Jesus por nós.

Paulo instrui acerca de como construir uma relação assim tão pessoal com o Senhor.  E essa relação terá quatro pilares.  Em primeiro lugar, diz o apóstolo, estejam enraizados nele (Cl. 2. 7).  Uma vida mística é um risco constante de engano, engodo e desvio.  Podemos ser iludidos e arrastados para muito longe do Senhor, se não tivermos cuidado.  Tal coisa tem acontecido e podemos ver todos os dias, em cada cidade brasileira, irmãos e irmãs que, levados por um misticismo cego, vêm se afastando do Deus vivo que se revela nas Escrituras.  A nossa única chance de nos mantermos firmes é enraizados em Jesus.  Precisamos dedicar nosso coração à leitura, à meditação e ao estudo sério da Bíblia.  Precisamos colocar nossa alma na busca pelo entendimento nas Escrituras.  Enraizamo-nos em Jesus, tendo nosso prazer na Lei do Senhor e na Sua Lei meditando dia e noite.

Também é fundamental nesse processo não abandonar a comunhão de nossos companheiros de discipulado.  Admoestando-nos uns aos outros a permanecermos ligados à Videira Verdadeira, preservaremos nossas almas de tão fatal desvio.  É preciso, pois, que estejamos enraizados em Jesus.

A partir disso, podemos obedecer a Palavra que nos instiga: construam sua vida sobre ele (Cl. 2. 7).  A lembrança imediata, ao ler esse trecho, é da fala de Jesus: Quem ouve esses meus ensinamentos e vive de acordo com eles é como um homem sábio que construiu a sua casa na rocha.  Caiu a chuva, vieram as enchentes, e o vento soprou com força contra aquela casa.  Porém ela não caiu porque havia sido construída na rocha (Mt. 7. 24 ? 25).  Alicerçados em Jesus, podemos construir uma vida que não seja destruída pelas intempéries que abatem e abalam nossa existência. E essa construção se dá quando aprendemos a obedecer os mandamentos de Deus.  Nossa vida será firme quando ouvirmos os ensinamentos de Jesus e vivermos de acordo com eles. 

A vida cristã é vida prática.  Ela se estrutura e se estabelece na ação prática que realiza aquilo que é vontade de Deus.  Muitas vezes, temos tido nossas emoções religiosas, temos mantido nosso conhecimento bíblico e acerca de Deus para nós mesmos.  Mantemos essas coisas extremamente subjetivas.  Elas existem em nós e se perdem em nós.  Uma vida assim não está firme.  A construção de nossa vida sobre Cristo se dá através da ação prática.  Estaremos firmes à medida que transformarmos as tantas coisas que nos marcam subjetivamente na nossa relação com Deus em obras de obediência a Ele, de justiça em favor dos outros e no cumprimento de Seu plano no mundo.

Uma vida firme na Rocha supera e suporta toda luta, toda tribulação, toda angústia e toda dor porque olha para o invisível.  Esta vida construída sobre Jesus se segura no barco contra todas as esperanças porque sabe que Deus, por fim, lhe conduzirá a porto seguro.  E se tornem mais firmes na fé (Cl. 2. 7).  Uma casa estável se sustenta diante de todo terremoto, de toda enchente, de todo abalo.  E se mantém firme.  Uma vida assim se fortalece na fé.  E fortalecida na fé, traduz tudo em gratidão ao Deus que guia a vida: E dêem graças a Deus (Cl. 2. 7).

O chamado à comunhão com Jesus, à intimidade mística com Ele, corre o risco de nos conduzir para bem longe dAquele em Quem encontramos a inteireza da natureza de Deus.  Deus nos quer em profunda, íntima e mística comunhão com Jesus.  Uma comunhão que nos transforma, que nos impacta e que pode transformar o mundo.  Comunhão com Aquele em quem está toda a plenitude de Deus e em Quem podemos gozar essa plenitude e essa presença gloriosa.  Mas precisamos estar alertas.  Precisamos estar enraizados em Jesus, construir nossa vida sobre Ele, permanecendo firmes na fé e louvando pelo Seu cuidado, Sua direção e Sua bênção em nossas vidas.  Sob pena de nos desviarmos para bem longe dAquele que é o prazer de nossas almas.

 

Daniel Dantas

Missionário da 1ª IPI do Natal

http://cavernadeadulao.blogspot.com

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