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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

O amado

O amado

 

Eu amo a Deus, o Senhor...

Salmo 116. 1

 

Dia desses um amigo comentou comigo que tem aprendido uma coisa de Deus.  Ele falou que esteve mal acostumado na sua relação com Deus.  Vivenciou muito tempo a experiência de perceber Deus tomando a iniciativa da conversa e da comunhão.  Assim, foi ficando acomodado à noção que não necessitava de uma busca de tanta intensidade.  Afinal, todos os dias ele estava certo que Deus viria buscá-Lo e lhe dirigiria uma Palavra mais que apropriada.  Mas, de repente, ele começou a experimentar um novo momento em que Deus foi lhe parecendo silente.  Meu amigo sofreu por sentir falta da comunhão com o Pai, de Sua Palavra doce e fiel, do Seu cuidado constante e absoluto.  Só então ele se apercebeu do ensino que o Senhor queria lhe passar: relacionamento, muito mais especialmente o relacionamento com Deus, é uma via de mão dupla.  Por isso, a busca da intimidade precisa ser mútua.  Desse modo, a mesma sede de comunhão e intimidade que meu amigo experimentava vindo de Deus devia estar no seu próprio coração.  O seu coração devia desenvolver a fome e a sede pela presença do Amado.  O que Deus estava esperando dEle, nesse novo momento, era que agora a iniciativa pudesse partir daquele ser amante que tanta sede demonstra da intimidade e comunhão com o Senhor.

No início das suas Confissões, Agostinho diz: Tu o incitas [o homem] para que sinta prazer em louvar-Te; fizeste-nos para Ti, e inquieto está o nosso coração, enquanto não repousa em Ti. (...) Quem O procura O encontra, e, tendo-O encontrado, O louvará.  Que eu Te busque, Senhor, invocando-Te; e que eu Te invoque, crendo em Ti.  O Senhor Deus é o Ser mais Amado por nossas almas.  Sendo isso verdade, o mais natural é que queiramos e nos importemos profundamente em mergulhar na intimidade e comunhão com Ele.  Quando eu amo, o que mais quero é fruir da intimidade e da companhia do Ser Amado.  Desesperadamente.  Apaixonadamente.  Porque nosso coração só encontra quietude e descanso quando se lança nos braços desse amor.  Porque, apaixonados, seremos conduzidos a uma busca intensa.  Busca sem limites.  Busca sem fim.  Busca sem nenhuma chance de esgotamento.  O nosso desejo será um maior mergulho nos rios do amor do nosso Ser Amado.

Quando penso na paz e alegria que invadem o coração do Adorador, daquele que usufrui com plenitude a comunhão com o Senhor, imagino o prazer e alegria que tem a esposa quando junto ao seu esposo amado.  Tudo o que ela fizer manifestará a alegria do seu amor, servirá como testemunho da intensidade de sua paixão.  Seus atos traduziram da melhor maneira possível os seus sentimentos e emoções.  Suas ações serão fruto e resultado unicamente da comunhão amorosa com seu esposo.  Ela não se cansará jamais de tomar a iniciativa de deixar claro que seu amor não é brincadeira.  Ela não se cansará de tomar a iniciativa de buscar o seu amado.  De declarar-se dele sempre.  De declarar seu amor a ele.

Semelhantemente, essa é atitude que Deus, o Nosso Amado, espera de nós, seus amantes.  Uma atitude de busca constante de Sua Comunhão amorosa.  A iniciativa de buscar a Sua face.  De buscar o Seu abraço e Seu carinho.  De buscar o aprendizado a partir dEle.  Atitude que não se cansará, jamais, de esclarecer, por seus atos e sua vida, que seu amor não é de brincadeira.  Que seu culto não é coreografia nem pirotecnia. 

Meu amigo está aprendendo que precisa ter sede para tomar a iniciativa de buscar o Senhor, mesmo quando Ele lhe parecer distante.  Podemos tomar a iniciativa de buscar Sua Comunhão amorosa porque Seu amor já é nosso para sempre.  E esse amor foi provado de uma vez por todas através da vida e morte de Jesus.  Aquele que veio mostrar ao mundo o tamanho do amor de Deus que está disponível para ser experimentado a partir da Cruz do Calvário.

 

Daniel Dantas

Missionário da 1ª IPI do Natal

http://cavernadeadulao.blogspot.com

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