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Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...
Fui espírita por toda a minha vida, até me converter aos 17 anos. Afirmava, como todo kardecista, que espiritismo não é religião, mas sim ciência (até hoje não sei fundamentada em quê. Aliás, sei sim; fundamenta-se na fé que os mortos falam). E, por mais que dissesse que não, como todo espírita, me esforçava até as últimas conseqüências para convencer os outros de que apenas o espiritismo era a verdade.
Na minha conversa no UOL, havia muitos espíritas. Todos como eu era. Só que todos cometendo um erro fundamental para quem se auto-intitula científico. Usavam a Bíblia para defender sua fé, mas recortando apenas as passagens que achavam adequadas. Todas aquelas que negam a substância de sua crença eram circunstancialmente esquecidas nas discussões.
Nada mais anti-científico, já que um dos elementos da maioria dos métodos de ciência é a exaustividade, justamente para se evitar que se colham apenas dados que corroborem as hipóteses dos pesquisadores. Isso significa que é impossível defender o espiritismo com a Bíblia, a não que se cometa um estupro intelectual e científico no texto bíblico e nos pressupostos da fé espírita.

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