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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...
Ainda sobre o Golpe, vejam este poema de Moacy Cirne, trazido do ótimo Balaio Vermelho:

abril abril
sem brilho:
baionetas rasgam corpos
e o silêncio da manhã.
o azul já não é mais azul
e uma criança chora com a dor dos pais.
não há lugar para o sonho
não há lugar para a vida.
abril abril
sem brilho:
lâminas cortam palavras
e angústias repentinas
com suas auroras intangíveis.
há um grito seco no vazio da memória.
o que fizeram com os nossos sonhos?
o que fizeram com as nossas vidas?

em 1/4/2004
40 anos depois

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