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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...
A Igreja Presbiteriana tem um projeto social em Fortaleza na favela do Titanzinho. Certa feita, no Seminário, fizemos, como atividade, análise de projetos de igrejas. O Titanzinho foi um dos estudados. O grupo que o visitou filmou tudo por lá. O projeto é basicamente uma escola e uma creche que atendem cerca de 500 crianças em um universo de 15 mil. E a marca da prefeitura da cidade está em todo canto.
Na hora da avaliação, o pastor Carlos Queiroz, nosso professor, que trabalha a anos com a ONG World Vision/Visão Mundial teceu críticas que podem enriquecer um debate sobre a ação do terceiro setor. Em primeiro lugar ele destacou que o número de crianças atendidas pelo projeto é mínimo em relação ao universo da comunidade. Lembrou que o projeto está sendo explorado, como marketing, pela prefeitura, apesar de ser da igreja. E, o que considero mais importante, ele assinalou que uma ação muito mais eficiente e coerente da igreja ali seria mover a sociedade para pressionar o poder público municipal a garantir um direito constitucional da comunidade, que é a educação garantida a toda população. O programa, apesar da cara de ação social, não passa de um assistencialismo disfarçado que vem sendo faturado na conta do prefeito.
O papel do voluntariado é participar ativamente da vida pública da sociedade. Em uma comunidade como o Titanzinho isso significa pressionar o poder público, mesmo que seja com processos e protestos, para que ele execute suas obrigações. Nunca será substituir o Estado e assim se fazer massa de manobra e inocente útil. Desculpas para a omissão e a falta de responsabilidade estatal. O voluntariado deve se fazer o extra e lutar para que o Estado faça o essencial.

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