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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...
Antecipações da próxima matéria de capa do Jornal União:

Na última semana a Reunião Anual do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, foi destaque em toda a imprensa, não só no Brasil. Evento criado para pensar os rumos da economia mundial, é o exemplo mais marcante da força impositiva que tem o Neoliberalismo, como doutrina econômica, no contexto atual. Mas o que é o Neoliberalismo e como ele tem influenciado a vida e a teologia das nossas igrejas?
O Neoliberalismo é uma utopia ou teoria que foi elaborado na Chigaco do pós-Guerra por Friedrich Hayek, austríaco, e Milton Friedman. Nas palavras do teólogo belga, radicado no Brasil, José Comblin, o “neoliberalismo pode ser considerado como teoria econômica, como utopia, como ética ou como filosofia do ser humano”. A sua principal tese é a do livre mercado total. O mercado livre não existe entre os seres humanos reais”, diz Comblin. O livre mercado supõe trabalhadores que competem livremente no mercado e oferecem o seu trabalho a quem oferecer melhor retribuição. Acontece que no mercado do trabalho comprador e vendedor não são iguais. O empresário é sempre ou quase sempre mais forte. Habitualmente pode impor suas condições. O trabalhador supostamente tem livre escolha: aceita ou não a proposta de trabalho. Acontece que, no mundo real, ele não tem livre escolha. Tem que comer e, por isso, tem que aceitar o que se lhe oferece, ainda que queira rejeitar a oferta. Não existe livre escolha para o trabalhador, explica o belga de alma brasileira.
Um conceito relacionado ao Neoliberalismo é o da globalização. A ideologia neoliberal ajuda as elites das nações subordinadas a aceitarem os plano políticos dos Estados Unidos. A globalização fornece uma justificação da dominação econômica dos Estados Unidos, diz Comblin.
Ligados a esse conceito temos outros que se relacionam mais de perto com o nosso dia a dia. O primeiro é a supressão dos obstáculos nacionais à circulação de capitais especulativos, bens e serviços, concretizado no Brasil desde o governo Collor. Um outro diz respeito à destruição dos coletivos, em especial do Estado, a fim de deixar o individuo isolado e entregue às leis de mercado. Assim se explica a fala do ex-presidente americano Ronald Reagan: Não temos problemas no Estado, o Estado é o problema. O Estado mínimo é a desculpa para os programas de privatização e a redução de sua atuação na área social, especialmente. Até a família fica desestruturada. Desintegra-se numa coleção de consumidores: há o consumo dos homens, o consumo das mulheres, o consumo dos jovens e o consumo das crianças. A família transforma-se numa justaposição de indivíduos que já não sabem comunicar, explica Comblin.
O mundo inteiro começou a entender agora que um sistema assim é incapaz de promover qualquer liberdade verdadeira. Ao contrário, o Neoliberalismo gera cada vez mais pobres e miseráveis que por sua vez se vêem sós e desprotegidos, especialmente por parte do Estado.
A globalização, na verdade, encobri a conquista cada vez maior do mundo pelos Estados Unidos. Essa conquista se manifesta, inclusive, no campo eclesiástico e teológico. É por isso que a cada dia aportam em nossas terras teologias provindas da América do Norte e comprometidas com o projeto neoliberal.

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