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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...
Aí vai o resumo de O nascimento de subversivos e hereges: uma análise do discurso protestante brasileiro:

INTRODUÇÃO

l Subversivos:
Posição crítica quanto à “Ordem Estabelecida”
l Hereges:
Posição crítica quanto ao Discurso Institucional

Subversivos = Hereges

Teorias acerca da aquisição de conhecimento
l Reflexo: privilegia o objeto, sujeito passivo

l Subjetiva: a realidade é criada pelo sujeito

l Interativa: o conhecimento surge de uma ativa interação entre sujeito e objeto

Atitude (ou compreensão) responsiva ativa
O receptor de um discurso “concorda ou discorda (total ou parcialmente), completa, adapta” o enunciado. (Bakhtin 1997: 290)

QUESTÃO IMPORTANTE: Em que medida um sujeito, diante da manifestação de um discurso, faria uma interpretação “livre”?

Análise do Discurso

Procura esclarecer os condicionamentos provocados pela ideologia na recepção de uma formação discursiva e suas manifestações textuais

Objetivo do trabalho:
analisar como ocorre o processo de produção e a compreensão de enunciados, bem como se entender como se dá a exclusão de indivíduos e idéias por serem rotulados como subversivos e hereges, principalmente no ambiente evangélico brasileiro após o
Golpe de 64.

1. IDEOLOGIA E FORMAÇÃO DISCURSIVA
l Ideologia:
Conjunto de representações que “servem para justificar e explicar a ordem social, as condições de vida do homem e as relações que ele mantém com os outros homens” (Fiorin 2001: 28)
O indivíduo se identifica com a posição em uma classe social.

SUJEITO ASSUJEITADO:
O indivíduo não pensa e não fala o que quer, mas o que a realidade impõe que ele pense e fale, tendo a ilusão de ser a origem do que diz.

Não seria possível uma compreensão/atitude responsiva ativa subjetiva. A compreensão estará cada vez mais condicionada à medida que seja mais intensa sua relação com a formação discursiva. “Tudo isso tendo como pano de fundo e ponto de chegada, quase que inevitavelmente as instituições” (Orlandi 1988:60)

IGREJA
l Promove fechamento e encurtamento de sentidos possíveis de leitura
l Qualquer ultrapassagem da leitura parafrástica promovida pela Igreja será classificada como pecado, rebeldia, blasfêmia
IDADE MÉDIA (séc. V ao séc. XV):
monopólio do saber = monopólio dos sentidos

Nascimento de subversivo e hereges
(processo assemelhado no protestantismo brasileiro pós 64)

2. DENOMINAÇÃO E SILENCIAMENTO
l Denominar como subversivos e hereges é uma ação de silenciamento, excluindo do universo de sentidos da instituição
l Silenciar “é a prática de processos de significação pelos quais ao dizer algo apagamos outros sentidos possíveis mas indesejáveis em uma situação discursiva dada” (Orlandi 1989: 40)
l O pastor (teólogo), no meio protestante, é o mediador, aquele que fixa sentidos, organiza relações e disciplina conflitos de sentidos

3. POLISSEMIA E PARÁFRASE
• Paráfrase:
sob formas diferentes, as mesmas coisas são ditas e lidas. O sentido é o já “dado”, necessita apenas ser “reconhecido”
• Polissemia:
é o campo do novo, fonte do sentido da linguagem, “responsável pelo fato de que são sempre possíveis sentidos diferentes, múltiplos” (Orlandi 2001: 20)

4. TIPOS DO DISCURSO
l Reversibilidade: é “a troca de papéis na interação que constitui o discurso e que o discurso constitui” (Orlandi 1996: 239)
l Lúdico: polissemia aberta, reversibilidade total
l Polêmico: equilíbrio = polissemia controlada, reversibilidade condicional
l Autoritário: paráfrase, ilusão de reversibilidade
O discurso religioso é uma espécie do discurso autoritário

Discurso Religioso
l Ilusão de reversibilidade pela profecia, pela visão, etc.
l Assimetria entre o Sujeito, Deus (plano espiritual) e os sujeitos, os homens (plano temporal)
l O representante não tem autonomia de voz
l Na Igreja cristã, a definição de sentidos está a cargo do teólogo
l Leitores independentes são perigosos para as igrejas

5. O PROTESTANTISMO BRASILEIRO
l Conferência do Nordeste: “Cristo e o processo revolucionário brasileiro” (Recife, 1962)
l Conflito conservadores x progressistas: a “Inquisição sem fogueiras”
l Teólogos de tendência social, como Rubem Alves e Richard Shaull, são desqualificados como “perigosos subversivos” e hereges e passam a ser segregados no ambiente protestante, cada vez mais fortemente conservador
l Silenciamento dos “credos sociais”
l Os evangélicos se tornam sustentáculos civis do Regime Militar (Cavalcanti 1985)
l Fim da Confederação Evangélica Brasileira e da União Cristã de Estudantes do Brasil
l Exclusão de fiéis causados de esquerdismo, ecumenismo, modernismo ou tendências renovadoras

Para Foucalt, o poder “se exerce e só existe em ato”; “o poder é essencialmente o que reprime” (Foucalt 1999: 21)

CONCLUSÃO
l Entendemos que por uma conjuntura ideológica, todo discurso voltado às preocupações sociais e à crítica do status quo no meio protestante brasileiro tende a ser excluído, tratado como herético
l A religião protestante procura se aliar em nosso país, ao discurso dominante, já que em sua mentalidade elitista se alimenta e ajuda a manter a ideologia dominante



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