Pular para o conteúdo principal

Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...
O mesmo jornal em que trabalho vai publicar no sábado a seguinte resenha (minha) de Deus é inocente; a imprensa, não, de Carlos Dorneles.

Atualmente, as definições de democracia e ditadura parecem ser dadas em conformidade aos ideólogos de plantão, mais precisamente aos interesses dos donos do poder.
Seguindo definições coerentes sobre ditaduras, George W. Bush poderia ser classificado como o imperador mais opressor da história. Diz Carlos Dorneles:

George W. Bush não inventou o controle da mídia, não foi o precursor na política de supremacia dos Estados Unidos, não foi o primeiro a promover guerras mantendo a imprensa contra a parede, não foi o único a bombardear outros povos para aumentar o prestígio junto à população e nem foi o arauto do desrespeito às organizações internacionais.
Mas, George W. Bush certamente foi o primeiro a fazer tudo isso ao mesmo tempo e com tamanha eficiência.


No contexto contemporâneo, quando se efetiva mais uma ação unilateral dos EEUU, o livro de Carlos Dorneles é leitura obrigatória, imprescindível. Deus é inocente; a imprensa, não (Ed. Globo, 2002, 271 pp) retrata a cobertura da mídia do 11 de Setembro, do ataque ao Afeganistão e do início do rolo compressor da operação contra o Iraque.
Analisando as revistas brasileiras Isto é, Veja e Época, os jornais Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, O Globo e o Jornal do Brasil, além do New York Times e The Washington Post, Dorneles mostra como a cobertura foi unilateral, baseada unicamente em informes do governo americano (na maioria das vezes, incrivelmente inverossímeis), longe dos fronts, traduzindo uma panfletária postura pró-americana, diminuindo o efeito dos erros ianques e multiplicando (falsamente) o poder Talibã e da Al-Qaeda.
A pesquisa de Dorneles decalca toda a ideologia da Guerra contra o Terror, que produziu prisões e mortes anônimas entre civis, graves desrespeitos às leis internacionais e aos direitos humanos, tudo sob o olhar conivente da mídia internacional e do povo norte-americano.
Contradições e mentiras ficam claras. Desmentidos e meias verdades ganham ar ficcional. E o tamanho do poderio do maior império da história se destaca em Deus é inocente .... O livro é uma denúncia contra uma potência hegemônica que teima em querer definir o que é certo ou errado aos outros países, agindo por cima de leis e da autonomia de outras nações, vivendo uma cada vez mais hipócrita e irreal democracia.
Essencial.

Comentários

Postagens mais visitadas