Pular para o conteúdo principal

Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...
Invadi o e-mail de meu amor para recuperar uma louca digressão apanhada no ônibus pela manhã:

Seria a Bíblia a Palavra de Deus?

A Palavra de Deus somente acontece no relacionamento de Deus com o homem.
Em outras palavras, Deus só fala quando fala com alguém. Isso parece óbvio,
mas muda algumas concepções tradicionais nossas. Tipo: a Bíblia deixa de
ser ?a? Palavra de Deus. O texto bíblico somente será a Palavra de Deus
se estiver falando com alguém , em um relacionamento. A Bíblia fechada
fala tanto quanto qualquer outro livro fechado. Nada. Assim também a
Palavra de Deus é maior que a Bíblia. Em um sentido estrito a Palavra de
Deus é Jesus. Nele o diálogo entre Deus e o homem é pleno e máximo. Aliás,
nele Deus se faz homem. E esse diálogo alcança um sentido dialético, uma
síntese humano-divina. (Por isso, para Bultmann Jesus é mitológico. Ora
qualquer síntese entre o humano e o divino, entre o natural e o sobrenatural,
é mito).

É por isso que Karl Barth, o maior teólogo do século XX, dizia que não se
pode falar de Deus na terceira pessoa. Logo toda produção de conhecimento
sobre Deus só é possível em um relacionamento eu-tu. Só se fala de Deus
em oração. Só se faz teologia orando. Barth acreditava q a Bíblia não
é mas pode se tornar a Palavra de Deus, especialmente quando é pregada.
Acredito nisso. Só que Barth não apoiou a evolução natural de seu raciocínio:
seria possível, então, uma teologia natural; conhecer a Deus a parte da
Bíblia. Ele acreditou que somente é possível conhecer a Deus através da
sua revelação em Jesus Cristo e através do registro do testemunho de fé
do povo de Deus, a Bíblia. Numa relação eu-tu mediada pelo texto bíblico,
especialmente quando pregado pela igreja. Nesse momento, Barth apontava
para o milagre da palavra humana ser transformada em palavra divina, que
traz a existência coisas q não existem.



Comentários

Postagens mais visitadas