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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...
Cada vez que vejo os Senhores da Guerra na tevê, meu espírito se indigna. Em especial contra a arrogância yankee.
Aí, busco respirar fundo e lembrar o Deus a quem eu sirvo. Ele abate o soberbo. Ele faz cair às babilônias de todas as eras. Ele reverte a lógica. Ele diz que é maior o que serve, o que dá a sua vida por muitos.
O maior poder do universo, quando esteve entre nós, nasceu na Palestina, periferia do Império Romano. Na Galiléia, periferia da Palestina. Em uma família pobre: Lucas nos conta que ao consagrarem Jesus no oitavo dia de vida, seus pais ofereceram o sacrifício dos pobres, “duas rolinhas ou dois pombinhos” (Lucas 2. 22 – 24).
Jesus exerceu seu ministério a maior parte do tempo à margem. Ganhou a oposição dos poderosos. Acabou sendo morto. Era subversivo e blasfemo.
Ressuscitou para garantir a destruição dessa forma mundana de poder.
Isso me deixa certo que o Deus da revolução não está (nunca poderia) ao lado dos Senhores da Guerra, em especial George W. Bush.
Isso me deixa certo que haverá amanhã. E que amanhã vai ser outro dia ...
APESAR DE VOCÊ
(Chico Buarque)
Hoje você é quem manda
Falou, tá falado
Não tem discussão
A minha gente hoje anda
Falando de lado
E olhando pro chão, viu
Você que inventou esse estado
E inventou de inventar
Toda a escuridão
Você que inventou o pecado
Esqueceu-se de inventar
O perdão
Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Eu pergunto a você
Onde vai se esconder
Da enorme euforia
Como vai proibir
Quando o galo insistir
Em cantar
Água nova brotando
E a gente se amando
Sem parar
Quando chegar o momento
Esse meu sofrimento
Vou cobrar com juros, juro
Todo esse amor reprimido
Esse grito contido
Este samba no escuro
Você que inventou a tristeza
Ora, tenha a fineza
De desinventar
Você vai pagar e é dobrado
Cada lágrima rolada
Nesse meu penar
Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Inda pago pra ver
O jardim florescer
Qual você não queria
Você vai se amargar
Vendo o dia raiar
Sem lhe pedir licença
E eu vou morrer de rir
Que esse dia há de vir
Antes do que você pensa
Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Você vai ter que ver
A manhã renascer
E esbanjar poesia
Como vai se explicar
Vendo o céu clarear
De repente, impunemente
Como vai abafar
Nosso coro a cantar
Na sua frente
Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Você vai se dar mal
Etc. e tal

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